Uma espécie curiosa de planta asiática foi encontrada recentemente no Japão. Ela não possui clorofila nem faz fotossíntese. Segundo o artigo que descreve a descoberta, publicado no Journal of Plant Research, a Monotropastrum humile se alimenta de nutrientes que roubam de fungos nas florestas que habitam.

Monotropastrum kirishimense e sua associação monotropoide com os fungos Russula. Crédito: Kenji Suetsugu

Acreditava-se que as essas plantas parasitas, comuns nas florestas do sudeste asiático, eram uma única espécie. Agora, pesquisadores japoneses e tailandeses descobriram a Monotropastrum kirishimense, uma espécie que se confunde com as M. humile, mas que, na verdade, é muito diferente.

As redes de fungos e as raízes de plantas formam uma associação conhecida como micorrizas. Essa combinação permite que as plantas distribuam nutrientes e transmitam informações entre si por meio de sinais elétricos e químicos. Isso faz com que as plantas enviem nutrientes de regiões da floresta mais ricas para regiões mais pobres e até avisem sobre predadores umas às outras.

Em troca disso, as plantas dão aos fungos produtos da fotossíntese, como hidrocarbonetos. Entretanto, a M. kirishimense trai essa relação mutualística. Ela rouba todos os nutrientes carregados pelas redes de fungos e não entrega nada em troca.

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O que as M. kirishimense têm de diferente

Segundo o site Science Alert, a M. humile e a M. kirishimense não são diferentes só nesse aspecto. A espécie recém-descoberta difere principalmente pela coloração rosa de suas flores, e suas raízes mal se projetam do solo. Diferentemente de suas primas, as M. kirishimense se associam apenas à linhagem de fungos Russula, enquanto as M. humile se associam a diversos tipos de fungos.

Outra diferença entre as flores é seu período de floração. A M. kirishimense floresce 40 dias depois das espécies que já eram conhecidas, o que impede que elas polinizem umas às outras para que aconteça a hibridização.

Ambas as espécies dependem de florestas antigas para sobreviver, mas elas estão estão cada vez mais raras. Os pesquisadores acreditam que a dificuldade de se encontrar a M. kirishimense seja porque elas estão ameaçadas de extinção.

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