O conceito de defesa planetária é baseado em esforços realizados para proteger a Terra de impactos de asteroides. Diariamente, mais de 90 toneladas de rochas e poeira espacial passam pela atmosfera terrestre. No entanto, boa parte queima muito antes de chegar ao solo e pode até gerar um rastro de luz. Outros meteoritos, um pouco maiores, podem — no máximo — render uma “caça ao tesouro”. 

Mesmo que a atmosfera terrestre nos proteja da maior parte dos impactos, nem sempre é assim. Há milhões de anos, quando dinossauros ainda caminhavam pela Terra, um asteroide de cerca de 10 quilômetros colidiu com o planeta, resultando em uma grande extinção em massa e uma cratera de 180 quilômetros de largura.

A defesa planetária atualmente trabalha para identificar objetos potencialmente nocivos (PHOs, na nomenclatura da NASA) próximos à Terra. Agências espaciais estão se preparando para defenderam o planeta caso algum dia seja preciso.

Identificando potenciais perigos

Atualmente, centenas de telescópios e observatórios estão procurando por objetos que possam colidir com a Terra. A partir dos dados coletados, os catálogos são construídos — como o do Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra (CNEOS), da NASA. Eles listam cometas, asteroides e os potenciais riscos de colisão.

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A primeira parte para descobrir se um cometa ou asteroide é um objeto potencialmente nocivo é entender a órbita dele. Depois de descoberta, é muito fácil decifrar a trajetória do corpo espacial.

Atualmente, alguns telescópios têm como função rastrear esses objetos próximos à Terra potencialmente nocivos. O Escritório de Coordenação de Defesa Planetária da NASA, criado em 2016, trabalha em conjunto com diversos centros de pesquisa de asteroides — como o Catalina Sky Survey, Pan-STARRS , Lincoln Near-Earth Asteroid Research e Spacewatch.

Outros observatórios estão posicionados em órbita terrestre para estudar asteroides, como o NEOWISE, lançado em 2009, que revelou centenas de milhões de objetos. O telescópio NEO Surveyor está programado para ser lançado no espaço em 2028 e preencherá lacunas do seu antecessor.

A NASA já vem buscando esses objetos potencialmente nocivos desde a década de 1970. Em 1998, o congresso americano encarregou a NASA de descobrir 90% dos objetos próximos à Terra com mais de 1 quilômetro de comprimento que estejam a cerca de 48 milhões de quilômetros do planeta. Essa pesquisa concluiu que nenhum dos grandes corpos espaciais próximos apresentavam perigos.

Além disso, posteriormente, a agência espacial norte-americana também foi encarregada de mapear 90% dos objetos com mais de 140 metros de diâmetro. Menos da metade foi rastreada até aqui.

A maior parte dos objetos descobertos pela NASA e outras agências espaciais não tem chance alguma de colidir com a Terra. No entanto, quando isso acontece, as rochas espaciais são estudadas com mais precisão.

Danos à Terra

Alguns tipos de objetos poderiam apresentar riscos à Terra. Asteroides com mais de 100 metros de diâmetro podem causar problemas em escala regional, enquanto os com mais de 1 quilômetro podem gerar catástrofes globais. Mesmo assim, meteoritos menores, como o que atingiu Chelyabinsk, na Rússia, em 2013, podem causar danos consideráveis. No caso do meteorito de Chelyabinsk, que tinha 17 metros, ondas de choque destruíram vidraças e árvores no raio de alguns quilômetros quadrados. A rocha deixou, ainda, um rastro de estragos, várias pessoas feridas e uma trilha de fumaça no céu.

Além do tamanho, há outros fatores que podem influenciar na gravidade de um evento como esse: ângulo, velocidade e região do planeta da colisão. Asteroides podem desencadear tsunamis, terremotos e incêndios.

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Mecanismo de defesa planetária

Ao mesmo tempo em que cientistas têm identificado objetos próximos à Terra potencialmente perigosos, outros pesquisadores têm trabalhado em formas de desviar a rota desses asteroides.

A principal resposta de defesa planetária é feita enviando uma nave ao espaço. Pesquisadores têm em mente três cenários:

  • O asteroide é desviado com a colisão;
  • O asteroide é desviado com a gravidade;
  • Ou, em último caso, bombas são usadas para destruir o alvo.

Passo a passo

Um pequeno desvio na trajetória pode ser o suficiente para evitar uma colisão. Essa técnica é conhecida como “impacto cinético” e já chegou a ser testada em 2022, com a missão DART. Uma espaçonave foi enviada pela NASA para colidir com o asteroide Dimorphos, de cerca de 160 metros de diâmetros. A rocha é a menor de um sistema duplo que não apresentava perigo à Terra. A missão foi super eficaz e mudou para sempre a rota do asteroide.

Missão DART de defesa planetária da NASA (Imagem: Jacques Dayan – Shutterstock)

Outra estratégia para evitar a colisão de um asteroide com a Terra seria usando a gravidade. Pesquisadores propuseram que uma espaçonave poderia ser usada como uma “trator de gravidade” para atrair gravitacionalmente um objeto espacial. No entanto, a eficácia ainda não foi testada.

Por fim, outra técnica é a de enviar uma ou várias ogivas nucleares em direção ao asteroide, pulverizando uma boa parte do alvo. No entanto, mesmo que essa técnica seja possível, é preciso rastrear os objetos espaciais com precisão e antecedência de meses, anos, ou até mesmo décadas.

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