O asteroide Ryugu está há cerca de 300 milhões de quilômetros de distância da Terra e atualmente não apresenta riscos ao planeta. No entanto, as amostras coletadas pela espaçonave Hayabusa2 da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) permitiram que os pesquisadores conseguissem estimar o que poderia acontecer em caso de uma possível colisão.

O resultado dos cálculos foi apresentado pelo professor do Departamento de Ciências do Sistema Solar da JAXA, Satoshi Tanaka, na 8ª Conferência de Defesa Planetária em Viena, Áustria, que aconteceu na segunda-feira (3). Além disso, também foi enfatizado a importância de fazer cálculos do tipo para defesa planetária, mesmo que o asteroide não chegue mais perto do que 100 mil quilômetros e apresente riscos reais à Terra.

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Missão Hayabusa2

A missão Hayabusa2 foi lançada em dezembro de 2014 e chegou ao asteroide de 900 metros de diâmetro em junho de 2018, onde coletou amostras, que foram devolvidas à Terra em 2020, pousou vários rovers na superfície e atingiu a rocha com dois projéteis.

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Hayabusa2 teve sucesso em um experimento no qual dois projéteis de 1 quilograma foram lançados a uma velocidade de 2 quilômetros por segundo, resultando na formação de uma cratera de aproximadamente 20 metros de diâmetro. A força de coesão da rocha deveria ser muito baixa. A densidade é apenas um pouco maior do que a da água com uma porosidade muito alta estimada.

Satoshi Tanaka

Por causa da baixa resistência mecânica quando comparado a rochas normais, os pesquisadores classificaram o Ryugu como um asteroide entulho, característica importante para ser levada em consideração caso ele entre em rota de colisão com a Terra. Se for usado o mesmo método de defesa planetária da missão DART de 2022, o asteroide pode se partir em vários pedaços.

Explosão em vários pedaços

De acordo com Tanaka, se nenhum método fosse aplicado para desviar o Ryugu e ele entrasse na atmosfera terrestre a uma velocidade 17 quilômetros por segundo e em um ângulo de 45°, o asteroide se partiria a cerca de 40 a 35 quilômetros da superfície.

A explosão causada nesse evento seria semelhante a que aconteceu em 201, na Rússia, quando o asteroide Chelyabinsk explodiu a 30 quilômetros da Terra, deixando cerca de 1500 feridos principalmente por causa dos vidros que se quebraram com a detonação. Mas esse asteroide possuía apenas 20 metros de diâmetro.

O pesquisador apontou que por ainda não sabermos com precisão a resistência do Ryugu não é possível prever o tamanho dos pedaços que cairiam na Terra.

A resistência à tração de Ryugu pode ser mais de duas ordens de magnitude maior do que as estimativas atuais, o que pode afetar seus efeitos na Terra. A amostra de retorno está em processo de conclusão da análise inicial. A exploração da fratura interna será importante no futuro para avaliar com mais precisão o impacto [de asteroides como Ryugu] na Terra.

Satoshi Tanaka

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