Vacina para câncer chega até 2030, diz diretor da Moderna

Esse tipo de vacina é possível graças ao avanço da tecnologia RNAm no desenvolvimento de imunizantes contra Covid, segundo diretor médico
Pedro Spadoni
Pedro Spadoni 10/04/2023 15:02, atualizada em 10/04/2023 22:38

Vacinas para câncer, doenças cardiovasculares e autoimunes; e outras condições estarão prontas até 2030. Pelo menos, é nisso que a empresa Moderna aposta, conforme revelado em entrevista com Paul Burton, diretor médico da farmacêutica, ao jornal britânico The Guardian.

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Essa possibilidade aparece no horizonte graças ao avanço da tecnologia RNAm (RNA mensageiro), por meio da qual a Moderna desenvolveu uma das vacinas mais eficazes contra Covid-19. Investimento na plataforma, durante a pandemia, fez com que se alcançasse 15 anos de progresso em apenas um, segundo especialistas na área.

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Enfermeira carregando dose de vacina em agulha de injeção
Moderna já trabalha numa vacina para câncer baseada em RNAm (Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Atualmente, a farmacêutica está desenvolvendo vacinas contra o câncer que miram em tipos diferentes de tumor. E Burton disse acreditar que a empresa será capaz de oferecer tratamentos para “todos os tipos de áreas de doença” em menos de cinco anos.

Teremos essas vacinas, elas serão altamente eficazes e salvarão centenas de milhares, se não milhões, de vidas. Acredito que seremos capazes de oferecer vacinas personalizadas contra o câncer, contra vários tipos de tumores diferentes, para pessoas em todo o mundo.

Paul Burton, diretor médico da Moderna, em entrevista ao The Guardian

O diretor médico também disse que várias infecções respiratórias podem ser tratadas com uma única injeção. Assim, pessoas vulneráveis ​​ficam protegidas contra Covid, gripe e RSV (Vírus Sincicial Respiratório. Enquanto isso, terapias de RNAm ficam disponíveis para doenças raras para as quais não existem medicamentos atualmente.

Como RNAm funciona

Ilustração de vírus e DNA
RNAm é uma espécie de manual de instruções para nossas células produzirem determinada proteína (Imagem: iStock)

Terapias baseadas no RNAm ensinam células a produzirem uma proteína que desencadeia a resposta imune do corpo contra doenças. Por exemplo, a vacina contra Covid leva o corpo a produzir uma parte do próprio coronavírus chamada Spike, que faz com que o organismo reconheça aquele invasor para se proteger quando a pessoa for eventualmente exposta ao vírus.

Já uma vacina contra o câncer baseada em RNAm alertaria o sistema imunológico para um câncer que já está crescendo no corpo de um paciente. Em tese, isso permitira que o sistema atacasse e destruísse o câncer, mas sem destruir as células saudáveis.

Porém, a aplicação dessa vacina (assim como as pensadas para doenças cardíacas e autoimunes) seria terapêutica, não preventiva, como acontece com a Covid. No caso do câncer, o desafio é desenvolver uma dose universal que funcione para todos os pacientes, porque cada tumor é diferente.

Com informações do The Guardian

Imagem de destaque: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

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Pedro Spadoni
Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

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