Na última terça-feira (25), o administrador da NASA, Bill Nelson criticou a invasão da Ucrânia pela Rússia, mas mesmo com o apoio dos Estados Unidos aos ucranianos, espera que a colaboração dos russos e americanos na Estação Espacial Internacional (ISS) continue até que ela seja tirada de operação.

A cooperação espacial entre os dois países tem sido posta em dúvida desde o início da Guerra da Ucrânia no ano passado. como noticiado pelo Olhar Digital, Yuri Borisov, chefe da agência espacial Roscosmos, da Rússia, silenciosamente mudou a data de sua saída da ISS. A previsão é que ela deixe a colaboração em 2024, mas que dependerá da estrutura até 2028.

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Logo após esse anúncio da Roscosmos, a NASA disse à agência russa que queria continuar com a parceria.

Agora, durante os eventos de apresentação da missão espacial Artemis II, em Ottawa, o administrador da NASA voltou a demonstrar esse interesse. Em resposta à Reuters, Nelson relembrou a cooperação espacial dos Estados Unidos e da União Soviética durante a Guerra Fria e disse que espera continuar ela, mesmo com os dois países em lados opostos da Guerra da Ucrânia.

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Estamos totalmente em desacordo com a agressão do presidente Putin. [Ele está] massacrando pessoas e invadindo um país autônomo e soberano.

Bill Nelson

De acordo com Nelson a colaboração entre os dois países na ISS continua de forma profissional entre os astronautas e cosmonautas, que acredita que isso continue até o final da década com a descontinuação da ISS.

A NASA planeja começar a tirar a Estação Espacial da órbita a partir de janeiro de 2031.

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Além das viagens compartilhadas realizadas pelos dois países, a estrutura da ISS garante a cooperação entre seus membros. O “lado russo” depende de painéis solares no “lado americano” para obter energia elétrica, e estes dependem dos russos para, basicamente, manter a estação “no lugar”.

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Isso porque, mesmo a mais de 400 km da superfície, ainda há atrito entre a estação e a atmosfera da Terra, o que faz com que a velocidade e a altitude do laboratório orbital sejam constantemente reduzidas. Por isso, são necessárias manobras periódicas para compensar essa “queda”, feitas usando os propulsores das espaçonaves russas que regularmente visitam a estação.

No entanto, se a agência tivesse um meio independente de impulsionar a estação e realizar manobras de evasão de detritos, como já vem sendo estudado, os EUA provavelmente conseguiriam dirigir a estação sem a parceria russa.

Ocorre que, conforme destaca o site Ars Technica, ninguém na NASA realmente gostaria que isso acontecesse. Segundo Kathy Lueders, Administradora Associada da Direção de Missão de Exploração e Operações Humanas da NASA, um dos pontos principais para essa resistência é que a relação colaborativa entre os países membros da ISS representa um símbolo importante para a cooperação humana em um mundo repleto de conflitos.

A ISS é uma parceria internacional que foi criada com dependências conjuntas, o que a torna um programa incrível. É um lugar onde vivemos e operamos no espaço, de forma pacífica. E eu realmente sinto que esta é uma boa mensagem para nós, que estamos operando pacificamente e seguros agora e seguindo em frente. Se a parceria se rompesse [devido às tensões geopolíticas], seria muito triste.

Kathy Lueders

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