Alguns pacientes com HIV conseguem manter o vírus totalmente sob controle sem a ajuda de medicamentos. Isso é um fenômeno raro que intriga pesquisadores e um estudo pode ter revelado o motivo: trata-se de uma versão anormal e poderosa do glóbulo branco que combate infecções.

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Descobertas sobre o HIV

A pesquisa descobriu uma versão poderosa do glóbulo branco chamado célula T CD8+. Trata-se de um tipo de célula T, que é comum ao sistema imunológico de todos, e, em pacientes com HIV, se acumula nos gânglios linfáticos.

Porém, em algumas pessoas, essa célula tem a capacidade de encurralar o HIV e impedi-lo de criar outras doenças, porque elas são significativamente mais rápidas em identificar e quebrar o vírus.

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Segundo o Dr. Bruce Walker, diretor do Ragon Institute of MGH, MIT e Harvard, um centro de pesquisa do sistema imunológico em Cambridge, Massachusetts, apenas uma em cada 300 pessoas é capaz de controlar o vírus sem medicamentos e isso acontece porque “a resposta das células T CD8+ que atinge esse controle”.

HIV
Apesar da pesquisa ter chegado a conclusões importantes, sua aplicação no tratamento pode não ser tão simples assim (Imagem: PENpics Studio/Shutterstock)

A pesquisa

  • O estudo, que teve seu relatório publicado em maio na Science Immunology, analisou amostras de sangue e células T de sete pessoas saudáveis e não infectadas com o vírus causador da Aids; 19 pessoas que controlam o vírus espontaneamente; e 17 indivíduos portadores do vírus, que realizam controle da carga viral com terapia antirretroviral (ART).
  • Entre os indivíduos de controle espontâneo, as células T CD8+ são “abundantes e altamente funcionais”.
  • Já entre os pacientes que realizar a ART, “são menos numerosas e funcionais”.
  • A partir da constatação da quantidade e qualidade das células, o Dr. Walker afirmou que gostaria de usá-las para ativar uma espécie de indução “de imunidade que vemos nos controladores espontâneos em pessoas com doença progressiva”.
Imagem mostra ampola com etiqueta escrita HIV em um fundo vermelho
Especialistas têm conduzido pesquisas para entender a relação do vírus com outras doenças e tratamentos (Crédito: Shutterstock)

Futuro dos pacientes do HIV com a pesquisa

Porém, para o Dr. Michael Horberg , diretor de HIV/AIDS e DST do Kaiser Permanente and Care Management Institute, em Rockville, Maryland, esse é um resultado difícil de alcançar.

Ele defende que as pesquisas nesse setor são importantes, mas que pacientes com o quadro são difíceis de encontrar. Segundo Horberg, quando um médico especialista em HIV encontra um indivíduo elegível, ainda tem de reunir um grupo de pessoas com a mesma característica para um estudo ser desenvolvido.

No entanto, assim como Horberg e Walker, outros especialistas continuam estudando a relação da doença com outros aspectos, bem como a qualidade de vida dos pacientes, para avançar no conhecimento sobre ela.

Com informações de Medical Xpress

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