A capacidade de mudança rápida da versão atual do vírus causador da gripe aviária está preocupando especialistas — que aumentam os pedidos para que os países vacinem suas aves. Por mais que os índices de contaminação em humanos permaneçam baixos, o aumento de mamíferos contaminados geram estado de alerta.

Richard Webby, pesquisador do St. Jude Children’s Research Hospital, afirma que o surto de 2021 tornou o grupo de vírus muito mais infeccioso e se tornou o maior surto de gripe aviária que já existiu. Webby liderou pesquisa sobre a evolução rápida do vírus da Europa para a América do Norte — publicado na revista Nature Communication.

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Esse estudo apontou que, ao chegar na América, o vírus aumentou em virulência — o responsável por causar doenças mais perigosas. Os pesquisadores infectaram um furão com a nova cepa do vírus e encontraram quantidade surpreendente dele no cérebro do animal — indicando que essa versão pode acarretar doenças mais graves que as outras cepas.

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“Esse vírus não está estático, está mudando”, afirma Webby sobre o risco do vírus para a humanidade. “Isso aumenta o potencial de que, mesmo por acaso”, o vírus seja capaz de “capturar características genéticas que o permitam ser mais um vírus humano”.

A expansão dos casos de contaminação em mamíferos está sendo parâmetro de preocupação para os especialistas, e o líder da pesquisa descreve esse índice como “sinal muito, muito preocupante”.

  • As entidades do Chile afirmaram que, desde o início do ano, quase nove mil leões-marinhos, pinguins, lontras, botos e golfinhos morreram de gripe aviária ao longo de sua costa norte;
  • Os especialistas acreditam que boa parte dos mamíferos tenha contraído o vírus comendo aves infectadas;
  • Webby destaca que o mais assustador são os indicadores de fazenda de martas espanholas, ou entre leões-marinhos da América do Sul — regiões onde o vírus pode estar circulando entre mamíferos.

Em contrapartida, o chefe de virologia da Agência de Saúde Animal e Vegetal do Reino Unido, Ian Brown, afirma que ainda não há “evidências claras de que esse vírus é facilmente sustentado em mamíferos”, e que, por mais que o vírus esteja mudando para se tornar “mais eficiente e eficaz nas aves”, ele permanece “não adaptado aos humanos”.

Com informações de MedicalXpress

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