Não é de hoje que insetos prejudicam pequenas plantações sem estrutura ou orçamento para fertilizantes superpotentes. Cientistas da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, pretendem mudar isso de um jeito novo: eles querem combater essas pragas esterilizando as fêmeas das espécies.

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Controle de pragas

Os insetos se tornam um problema para os agricultores quando depositam seus ovos nas bagas, por exemplo, o que conhecemos como uma “fruta bichada”. Isso causa prejuízo para os produtores.

Pensando nisso, os pesquisadores recorreram a uma técnica chamada “gene drive”, que consiste em manipular o DNA dos insetos para que as fêmes da espécie se tornem estéreis.

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Além disso, eles acharam métodos de fazer com que a espécie não se recupera da mutação.

Pesquisa

  • Eles usaram a mosca-das-frutas como exemplo na pesquisa, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
  • O estudo mostrou que se os pesquisadores cruzarem uma mosca geneticamente modificada com uma não modificada, a probabilidade de herança na esterilidade é de 99%.
  • Os pesquisadores usaram esse método para provar que, se fizerem isso a cada duas semanas, levará cinco meses para combater as pragas.
Ilustração de mutação genética
Segredo para controle de pragas estaria no DNA (Imagem: Rost9/Shutterstock)

Diferencial

A modificação genética como forma de combater pragas não é uma ideia totalmente nova. Mesmo assim, o uso de pesticidas ainda sai mais barato e é fácil de implementar.

Porém, segundo Max Scott, professor de entomologia e coautor do artigo, o método do gene drive funciona porque é aplicado em larga escala e permite que a esterilidade se dissemine rapidamente. Isso também ganha tempo para os agricultores.

Mosca-das-frutas é uma das pragas que contaminam frutos (Imagem: Diaz Aragon – Shutterstock)

Riscos vs. insetos

  • A pesquisa pode ser revolucionária, ainda mais quando o aquecimento global e as mudanças climáticas têm criado ambientes não naturais e propiciado a disseminação de pragas.
  • Para Luciano Matzkin, professor associado de entomologia da Universidade do Arizona, o estudo resolveu um grande problema esterilizando as fêmeas.
  • Porém, um risco que normalmente se concretiza é o de que uma nova mutação genética não antecipada pelos pesquisadores resista à mutação de laboratório, e crie pragas mais resistentes.
  • Ainda assim, se não houver riscos ambientais negativos, “uma abordagem bem-sucedida de controle biológico é sempre preferível” aos pesticidas.

Quando a técnica será aplicada?

A técnica advinda da mutação genética ainda está longe de ser aplicada na prática. Antes disso, Scott e sua equipe precisam realizar mais testes de laboratório e, depois, passar por um processo regulatório, para enfim chegar aos testes de campo.

Com informações de Phys Org

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