Após a confirmação da morte de todos os cinco passageiros do submarino da OceanGate, uma investigação foi iniciada para entender o que de fato aconteceu para que o submersível não suportasse a pressão do fundo do Oceano Atlântico e implodisse — entenda aqui o que é implosão.  

No entanto, já com diversos indícios de que o veículo não atendia a demanda de segurança necessária, especialistas apontam que a tragédia era inevitável, inclusive no que diz respeito as escolhas do design e materiais usados na construção do Titan. 

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O que aconteceu? 

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  • No último domingo (18), o submarino Titan, da OceanGate, sumiu durante uma expedição aos destroços do Titanic com cinco pessoas dentro. 
  • Hipóteses indicavam que o submersível poderia estar flutuando entre o fundo do Oceano e a superfície, ter implodido ou ficado preso nos destroços do Titanic, onde a profundidade é tanta que seria quase impossível resgatá-lo; 
  • Na quinta-feira (22), a Guarda Costeira dos EUA informou que encontrou destroços de cinco partes da embarcação, indicando que houve de fato uma “implosão catastrófica”; 
  • No mesmo dia, o órgão confirmou a morte dos cinco passageiros. A OceanGate, dona do submarino e responsável pela expedição, publicou um comunicado lamentando a fatalidade;
  • Sobre o resgate das vítimas, a Guarda acredita que não será possível recuperar os corpos dos tripulantes (entenda a situação aqui).

Embora a investigação ainda esteja em andamento, já que busca mais destroços para montar um possível quadro dos eventos, segundo o professor de oceanografia da Universidade de Rhode Island, Chris Roman, à AP, a esfera do submarino era até adequada para esse tipo de embarcação, porque possibilita que a pressão alcance todas as áreas com a mesma intensidade — uma igual distribuição. 

No entanto, o Titan de 6,7 metros de comprimento e 10 toneladas foi projetado para fins comerciais (passeios), assim adicionou uma área interna relativamente espaçosa para seu tamanho, o que o deixou mais vulnerável à pressão externa da água. 

Submarino Titan, que sumiu perto do Titanic, debaixo d'água, visto de lado
(Imagem: Reprodução/OceanGate)

Geralmente, submersíveis que vão até águas profundas são de titânio, o Titan da OceanGate era de fibra de carbono. Baseado nessas análises, as escolhas no design e materiais do submarino podem ter contribuído diretamente para o acidente. 

Para Jasper Graham-Jones, professor associado de engenharia mecânica e marinha na Universidade de Plymouth, no Reino Unido, há ainda mais consequências na decisão de aumentar o espaço na cabine. São elas: 

  • Fadiga: tensão repetida em um material que vai causando pequenas trincas na superfície. Essas trincas se propagam devagar, e vão se acumulando danos até que haja uma falha. 
  • Delaminação: processo físico pelo qual as camadas de materiais como fibra de carbono começam a se separar umas das outras. 

A observação de Graham-Jones responde a perguntas como: por que o submarino não implodiu antes? O casco do Titan já tinha sido submetido a pressão em outras viagens — mais de 20 foram feitas, e a cada viagem as pequenas fissuras na estrutura possivelmente foram aumentando. Elas são indetectáveis sem uma inspeção de segurança específica, provavelmente por isso não foram percebidas. 

Embora a OceanGate usasse o fato de o submarino ser de fibra de carbono como ponto positivo, já que transformava o veículo em um submarino mais leve com um investimento mais barato, materiais de compostos de carbono têm uma vida útil limitada quando recebem carga muito pesada, finalizou Graham-Jones. 

Alerta sobre falta de segurança no submarino

Vale lembrar que, desde 2018, quando o Titan foi projetado, especialistas alertam a OceanGate que ele não seguia as normas internacionais e poderia ter um fim catastrófico. A embarcação não tinha uma certificação e ofertava um termo aos passageiros os responsabilizando por “lesões físicas, incapacidade, trauma emocional ou morte”. 

Um ex-funcionário, inclusive, disse em um processo que a empresa fazia seus próprios testes, mas que esses eram insuficientes e poderiam “colocar os passageiros em perigo extremo em um submersível experimental”.  

David Lochridge, que foi diretor de operações marítimas da OceanGate, defendeu na época a “inspeção não destrutiva”, como exames ultrassônicos, mas a empresa se recusou a fazer e ainda o demitiu por insistir nas preocupações. 

Stockton Rush, CEO da OceanGate e uma das vítimas do Titan que implodiu, chegou a admitir em uma entrevista em 2022 que quebrou “algumas regras” na construção do submarino. 

Com informações da agência AP 

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