Água radioativa de Fukushima será liberada no oceano em agosto; é seguro?

Agência Internacional de Energia Nuclear aprovou despejo e garante que não há riscos, mas liberação da água radioativa ainda é contestada
Fukushima
(Imagem: Santiherllor/ Shutterstock)

O governo do Japão pretende iniciar a liberação da água radioativa tratada da usina nuclear de Fukushima em agosto, segundo informações do jornal Nikkei. A decisão foi tomada após a aprovação do plano pela Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).

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Após uma análise de dois anos, a AIEA disse que os planos do Japão eram consistentes com os padrões globais de segurança e que teriam um “impacto radiológico insignificante para as pessoas e o meio ambiente”. Funcionários da agência devem monitorar a liberação no Oceano Pacífico.

Últimos passos antes da liberação

  • Ainda de acordo com a imprensa do país, a Autoridade de Regulação Nuclear do Japão deve certificar o equipamento a ser usado no processo até, no máximo, a sexta-feira (07).
  • Os membros do órgão já reconheceram que os padrões de segurança exigidos foram respeitados.
  • Com a emissão do documento, será dado o sinal verde definitivo para o descarte da água radioativa.

Processo é seguro, diz Japão

  • O governo do Japão garante que o processo é seguro, uma vez que a água, suficiente para encher 500 piscinas olímpicas e usada para resfriar as barras de combustível da usina de Fukushima, destruída após ser atingida por uma tsunami e um terremoto em 2011, foi totalmente tratada.
  • As autoridades japonesas afirmam que a água foi filtrada para remover a maioria dos elementos radioativos, exceto o trítio, um isótopo de hidrogênio que é difícil de separar da água.
  • A água tratada será diluída até ficar bem abaixo dos níveis de trítio aprovados internacionalmente antes de ser liberada no Pacífico.
  • No entanto, o plano ainda gera fortes contestações dentro e fora do país.

Liberação da água radioativa ainda é motivo de contestação

  • Os sindicatos de pescadores japoneses reclamam que a liberação da água colocaria em risco todo o trabalho de reparação da reputação do país depois que vários governos estrangeiros proibiram alguns produtos alimentícios do Japão.
  • Uma petição reuniu mais de 250 mil assinaturas contrárias ao plano do governo do Japão.
  • Alguns países vizinhos também alertam para as ameaças ao meio ambiente marinho e à saúde pública.
  • Por meio de sua embaixada no Japão, o governo da China disse que o relatório da AIEA não pode ser um “passe” para a liberação da água e pediu a suspensão do plano.
  • “Se o lado japonês está empenhado em seguir seu próprio caminho, ele deve arcar com todas as consequências”, disse o Ministério das Relações Exteriores da China em um comunicado, acrescentando que “lamenta” a “divulgação precipitada” do relatório da Agência Internacional de Energia Nuclear.
  • Nesta terça-feira (04), Pequim ainda criticou a comparação do Japão entre os níveis de trítio na água tratada e na água residual e afirmou que a explicação estava “confundindo completamente os conceitos e enganando a opinião pública”.
  • Em resposta, as autoridades japonesas disseram que fizeram várias e repetidas tentativas de explicar a Pequim a ciência por trás da postura de Tóquio, mas que todas as alegações foram ignoradas pelo país vizinho.

Com informações de Nikkei.

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Alessandro Di Lorenzo
Alessandro Di Lorenzo

Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Bruno Capozzi
Bruno Capozzi

Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.

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