Nos dias de glória do Japão, no final dos anos 1980, o país respondia por quase metade da indústria global de semicondutores. Hoje, os japoneses querem retomar essa hegemonia. Para isso, apostam na fabricação em massa de chips de 2 nanômetros, design atual de última geração.

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Atsuyoshi Koike, engenheiro japonês de 71 anos, está a frente dessa missão. Ele lidera uma startup chamada Rapidus, que planeja investir cerca de US$ 35 bilhões, quase R$ 170 bilhões, até 2027 na construção de uma fábrica no norte do Japão para fabricar os chips.

O projeto conta com a parceria de outras empresas. A IBM, por exemplo, que foi a primeira a anunciar a tecnologia de 2 nanômetros em 2021, está fornecendo seu manual de fabricação de chips para a startup japonesa.

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Aliados contra o avanço da China

  • Além disso, a startup recebe apoio do governo dos Estados Unidos através da Lei de Chips.
  • São US$ 53 bilhões de investimentos para acabar com a dependência dos EUA de semicondutores fabricados no exterior, especialmente aqueles usados pelo Pentágono.
  • O principal temor dos americanos e dos aliados japoneses é a China, que está tentando tornar a própria indústria de semicondutores uma líder mundial.
  • As tensões com Taiwan, que Pequim considera território chinês, aumentam ainda mais os temores dos rivais da China.
  • Atualmente, a ilha concentra a maior parte da fabricação mundial de chips mais avançados.
  • Os EUA e o Japão já se uniram contra a China, limitando o acesso do país à tecnologia avançada de fabricação de chips, o que levou Pequim a retaliar controlando as exportações de dois minerais usados para a fabricação dos produtos.
  • Um porta-voz do Ministério do Comércio chinês disse, no dia 1º de julho, que os americanos “abusaram das medidas de controle de exportação mesmo às custas dos interesses de seus aliados” e prejudicaram seriamente a indústria.

Japão tenta resgatar sua tradição na fabricação de chips

  • Desde seu pico há mais de três décadas, a participação do Japão na indústria global de semicondutores caiu para pouco menos de 10%, de acordo com a Associação da Indústria de Semicondutores.
  • Na fabricação, a maior parte da produção japonesa consiste em chips de memória, não nos chips lógicos e gráficos que alimentam produtos como o iPhone, máquinas de videogame e chatbots de inteligência artificial.
  • Os japoneses ainda lideram em partes de nicho da cadeia de suprimentos, como produtos químicos usados na fabricação de chips.
  • Mas o país sentiu a falta de capacidade de fabricação nacional durante a escassez de chips na pandemia de Covid-19, que prejudicou a indústria automobilística nacional.
  • Agora, a Rapidus pretende colocar o Japão de volta ao topo.
  • O objetivo é iniciar a produção piloto de chips em 2025 e a em larga escala em 2027.

Com informações do The Wall Street Journal.

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