Um estudo publicado no European Journal of Immunology aponta que o microrganismo causador da maior parte dos casos de malária no Brasil, o Plasmodium vivax, induz uma resposta imune diferente da espécie predominante na África, o Plasmodium falciparum. A descoberta ajuda a explicar por que a gravidade da doença é menor em território brasileiro quando comparada com os casos no continente africano.

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As descobertas do estudo

  • O trabalho dos pesquisadores da USP se baseou em amostras coletadas de 38 pacientes infectados com Plasmodium vivax após o diagnóstico e 28 dias depois do início do tratamento.
  • O estudo analisou o comportamento dos linfócitos, as células do sistema imune do organismo, e mostrou importantes diferenças entre os mecanismos de imunidade das duas espécies.
  • O Plasmodium vivax é a espécie predominante no Brasil e responde por cerca de 80% dos casos por aqui, de acordo com um boletim epidemiológico publicado pelo Ministério da Saúde em maio de 2022.
  • Além disso, é mais antigo em comparação à espécie que hoje predomina no continente africano, o Plasmodium falciparum.
  • Além de induzir um quadro de malária mais grave, a resposta imune do microrganismo típico da África parece não ser muito bem regulada.
  • Por outro lado, o estudo mostra que o Plasmodium vivax induz a uma resposta melhor regulada durante a fase aguda da doença.
  • “No caso do Plasmodium falciparum, a literatura identificou linfócitos T auxiliares foliculares (Tfh) do tipo Th1, que são pouco eficientes em induzir linfócitos B a produzir anticorpos protetores. Já no nosso estudo com o Plasmodium vivax, detectamos, além dos linfócitos Tfh do tipo Th1, linfócitos Tfh do tipo Th2, que atuam melhor nessa tarefa”, explicou a professora Silvia Beatriz Boscardin, coordenadora do laboratório e do estudo.

Tratamento e vacina contra a malária

  • No Brasil, o tratamento contra a malária possui alta eficácia, sendo obrigatório e fornecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
  • Esse é um dos fatores que garantem a baixa taxa de mortalidade da doença no país, bem como a pouca resistência em relação aos medicamentos.
  • “Contra a malária, temos fármacos bastante eficazes. Entretanto, em diversos países, especialmente no Sudeste Asiático, já tem sido descrito o aparecimento de resistência. No Brasil, ainda há poucos relatos”, conta Silvia Boscardin.
  • A pesquisadora destaca que a vacina para malária disponível atualmente é eficiente apenas contra o Plasmodium falciparum, não apresentando efeitos contra o Plasmodium vivax.
  • Segundo ela, o estudo pode ser útil, futuramente, no desenvolvimento de um imunizante específico contra o parasita predominante no Brasil.
  • “São microrganismos que, apesar de causarem uma doença muito parecida, e terem ciclos parasitários semelhantes, são geneticamente muito diferentes, e isso deve ser levado em conta na hora de desenvolver uma vacina. Aqui, no Brasil, temos estudos pré-clínicos e um ensaio clínico deve começar em breve”, observa especialista.

Com informações de Jornal da USP.

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