As mensalidades das plataformas de streaming estão cada vez mais caras. E essa pressão faz parte do esforço das empresas para: 1) reduzir seus prejuízos; e 2) direcionar os usuários para planos mais baratos com anúncios – que são mais lucrativos.

Para quem tem pressa:

  • As plataformas de streaming têm subido os preços das suas assinaturas sem anúncios para reduzir seus prejuízos e empurrar clientes para pacotes com anúncios;
  • Após anos cobrando preços baixos em busca de crescimento rápido, a maioria dos grandes players enfrenta um acerto de contas financeiro;
  • Agora, em busca de lucratividade, eles testam a fidelidade de seus clientes, apostando que aumentar os preços não levará a cancelamentos das assinaturas.

É o que aponta uma análise do Wall Street Journal, publicada nesta semana. O veículo até cunhou um termo para isso: “streamflation” (mistura de streaming com inflação em inglês). A reportagem pinta o cenário nos EUA, mas no Brasil não está muito diferente.

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Inflação no streaming

Botões de plataformas de streaming em TV da Samsung, com Netflix em destaque
(Imagem: Manuel Esteban/Shutterstock)

O custo médio para assinar planos sem anúncio dos principais serviços de streaming – por exemplo: Netflix, Disney+ e HBO Max – aumentou quase 25% em cerca de um ano.

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A onda recente de aumentos de preços sinaliza uma nova fase na concorrência entre as plataformas. Após anos cobrando preços baixos em busca de crescimento rápido, a maioria dos grandes players enfrenta um acerto de contas financeiro, com perdas de dezenas de bilhões de dólares se acumulando.

Agora, em busca de lucratividade, eles estão testando a fidelidade de seus clientes, apostando que aumentar os preços não levará mais pessoas a cancelar o serviço – um fenômeno do setor conhecido como churn.

Nos EUA, a mensalidade do plano sem anúncios do Disney+, por exemplo, vai subir para US$ 13,99 – o dobro do preço quando a plataforma foi lançada, em 2019. A Disney foi a primeira empresa a aumentar os preços duas vezes em um ano.

Os aumentos de preços ocorrem quando as plataformas de streaming desfrutam de um público maior do que nunca. Porém, a inflação no streaming pode levar mais pessoas a entrar e sair de assinaturas – para assistir apenas a seus programas favoritos – e a mudar para opções de serviço de custo mais baixo que vêm com anúncios.

Aplicativos de streaming em pasta no iPhone
(Imagem: Tada Images/Shutterstock)

Ainda usando a Disney como exemplo, há uma categoria de plataformas que a empresa deixou intocada: as versões com publicidade do Disney+ e do Hulu, que serão US$ 6 e US$ 10 mais baratas, respectivamente.

No geral, o preço da maioria das principais plataformas de streaming sem anúncios é cerca de duas vezes maior do que suas alternativas suportadas por anúncios. A única exceção é a HBO Max – por enquanto.

O presidente-executivo da Warner Bros. Discovery, David Zaslav, há muito argumenta que a maioria dos serviços de streaming é subestimada devido ao valor gasto em conteúdo.

Em 2022, o executivo disse, numa conferência com investidores:

Não estamos tentando pegar todos os assinantes. Queremos garantir que sejamos pagos e que sejamos pagos de forma justa.

Aumentar os preços é apenas parte da estratégia das empresas de entretenimento para reduzir suas perdas no streaming. Eles também estão tentando cortar gastos.

Cortes de gastos

Logomarcas de serviços de streaming empilhadas
(Imagem: Reprodução)

Roy Price, ex-executivo da Amazon que lançou o serviço de vídeo sob demanda da gigante do varejo em 2008, disse que as plataformas estão lutando para cortar orçamentos de conteúdo sem sacrificar o crescimento de assinantes.

Rich Greenfield, analista da LightShed Partners, disse que o risco de os clientes entrarem e saírem entre os serviços quando terminarem de assistir a um programa específico provavelmente aumentará devido ao custo crescente de cada plataforma.

É tão fácil cancelar e voltar aos serviços de streaming. Você assina o Disney+ para ‘The Mandalorian’ ou no HBO Max para ‘Casa do Dragão’ e cancela assim que assistir.

Rich Greenfield, analista da LightShed Partners

Uma maneira de as empresas se protegerem parcialmente das deserções de clientes é agrupando suas ofertas de streaming. No Brasil, por exemplo, começaram a aparecer “ofertas casadas” nos últimos meses – descontos no HBO Max para quem assina Amazon Prime Video, pacotes do Globoplay com Premiere, Telecine etc.

Se vai funcionar ou não, só as próximas conferências com investidores dirão.

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