Os mitos sobre a liberação da água radioativa de Fukushima no oceano

O início da liberação da água radioativa de Fukushima no oceano Pacífico gerou uma onda de desinformação nas redes sociais, segundo site
Fukushima
(Imagem: Santiherllor/ Shutterstock)

A polêmica liberação da água radioativa da usina nuclear de Fukushima, no Japão, gerou protestos de países vizinhos e até reações contrárias de pescadores japoneses. Mas também criou uma onda de notícias falsas sobre o despejo no Oceano Pacífico de toneladas da água tratada.

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Campanha de desinformação

  • A mídia estatal chinesa foi responsável, em grande parte, por divulgar o conteúdo falso, segundo informações da Tech Xplore.
  • Foram, inclusive, usadas imagens geradas por inteligência artificial de um Godzilla movido a energia nuclear emergindo do oceano.
  • A China proibiu todas as importações de frutos do mar do Japão e condenou a liberação, que começou no mês passado, apesar de ter sido declarada segura pela Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).
  • O governo japonês afirmou que seus cidadãos na China e empresas no Japão foram prejudicadas pela campanha de desinformação.
  • As autoridades do país informaram que um tijolo chegou a ser jogado contra a embaixada japonesa em Pequim.

Pacífico contaminado

Publicações nas redes sociais no TikTok, Weibo e Facebook compartilharam um gráfico com alegações de que a água despejada de Fukushima contaminaria a maior parte do Oceano Pacífico dentro de 57 dias.

As postagens, principalmente provenientes da China e da Coreia do Sul, mas que também circularam dentro do Japão, mostram um gráfico do desastre de 2011 que gerou 700 milhões de visualizações.

A animação, mostrando uma simulação de modelo de césio-137 disperso no Pacífico após o acidente nuclear de 2011, foi tirada de um estudo de 2012. Erik Behrens, principal autor do estudo, conduzido pelo Centro Helmholtz de Pesquisa Oceânica Kiel, disse à AFP que “apenas captura a liberação inicial de 137-Cs durante as primeiras semanas após o colapso e não foi feito para nenhum cenário de liberação de longo prazo”.

Início da liberação da água radioativa de Fukushima gerou uma onda de desinformação (Imagem: Tokyo Electric Power Co., TEPCO)

Peixes mortos

Já um vídeo no YouTube mostrava milhares de peixes mortos nas águas ao redor de Fukushima após o início da liberação da água radioativa. Foram mais de 150 mil visualizações.

A agência de notícias estatal chinesa CGTN chegou a produzir uma paródia musical afirmando que o Japão estava bombeando “água poluída e peixes envenenados” para o mar. Mas uma investigação da AFP Fact Check mostra que o vídeo em questão é de fevereiro, quando um grande número de sardinhas mortas apareceu nas margens da cidade de Itoigawa, na costa oeste do Japão.

Liberação das águas de Fukushima vai destruir a Terra

Outra série de postagens nas redes sociais indicava para uma rápida disseminação de substâncias radioativas no oceano. O post original em coreano afirmava que o Japão estava desencadeando “a destruição da Terra”.

Várias postagens usando o gráfico ganharam força em outras redes sociais, inclusive no X, antigo Twitter. O conteúdo foi acompanhado de um gráfico da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA sobre as alturas máximas de onda do tsunami de 2011.

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Por fim, um vídeo postado no Weibo mostra um fluxo de lodo negro sendo liberado no oceano, com o usuário afirmando que são águas de Fukushima. “O Japão está descarregando águas residuais nucleares. Isso afetará a ecologia e a vida em nosso país?”, questiona a legenda em chinês.

A publicação original recebeu mais de 16 mil visualizações e o conteúdo foi visto milhares de vezes no Facebook, YouTube, Weibo, X e na versão chinesa Douyin do TikTok. Mas o vídeo foi filmado no México e foi desmascarado como parte de uma verificação de fatos da AFP em 2020.

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Alessandro Di Lorenzo
Alessandro Di Lorenzo

Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Bruno Capozzi
Bruno Capozzi

Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.

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