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A antimatéria é como o “gêmeo maligno” da matéria: toda partícula subatômica possui uma antipartícula correspondente, uma imagem espelhada com a mesma massa, mas com carga elétrica oposta. Mas a existência desse estado também é recheada de mistérios e um dos principais é: se a antimatéria é um reflexo da matéria, ela reage da mesma forma aos efeitos da gravidade?
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A principal descrição que temos da gravidade na era moderna é a proposta na teoria da relatividade, de Albert Einstein. Entretanto, o físico não tinha conhecimento da antimatéria.
O que você precisa saber?
- A antimatéria teoricamente deveria reagir com a gravidade igual a matéria normal;
- Mas sua aparente inexistência natural no Universo causou dúvidas quanto a isso;
- Agora, um novo estudo pode ter descartado de vez a antigravidade.
Agora, um novo estudo da Anti-hidrogênio Laser Physics Apparatus (ALPHA) e da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN) publicado na Nature pode ter respondido como a antimatéria interage com a gravidade e se existe algum tipo de antigravidade.
Este é o primeiro experimento direto a realmente observar um efeito gravitacional no movimento da antimatéria. É um marco no estudo da antimatéria, que ainda nos confunde devido à sua aparente ausência no Universo
Jeffrey Hangst, autor correspondente do estudo
Os resultados mostram que a antimatéria também é atingida pela gravidade, assim como a matéria normal, comprovando uma das principais teorias sobre a interação. A pesquisa também descarta a existência da suposta antigravidade.
Como a pesquisa sobre antigravidade foi feita?
Interagir com a antimatéria é um desafio para a física. No estudo, os cientistas utilizaram átomos de anti-hidrogênio, a escolha se dá pelo fato de os átomos de anti-hidrogênio serem partículas de antimatéria eletricamente neutras e estáveis, o que permite um controle maior da interação gravitacional.
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Para fazer a análise, a equipe da ALPHA construiu um dispositivo chamado de ALPHA-g, capaz de medir as posições verticais em que os átomos de anti-hidrogénio se encontram com a sua matéria correspondente, uma vez desligado o campo magnético da armadilha, os átomos podem escapar.
A “armadilha” então foi usada para que os cientistas prendessem grupos com cerca de 100 átomos de anti-hidrogênio. Os grupos então foram sendo lentamente soltos no dispositivo e a corrente magnética foi sendo reduzida.
Os resultados mostraram que 20% dos átomos saíram pela parte superior da armadilha e 80% pela parte inferior, uma diferença causada pelo efeito descendente da gravidade. No fim, o desempenho do anti-hidrogênio é o mesmo do hidrogênio normal.
Apesar de os resultados indicarem que não existe uma suposta antigravidade, mais estudos são necessários para que seja descoberta a natureza da antimatéria.
Levamos 30 anos para aprender como fazer esse antiátomo, segurá-lo e controlá-lo bem o suficiente para que pudéssemos realmente soltá-lo de uma forma que fosse sensível à força da gravidade
Jeffrey Hangst
“O próximo passo é medir a aceleração com a maior precisão possível. Queremos testar se a matéria e a antimatéria realmente caem da mesma maneira”, finalizou o pesquisador.