Durante uma pesquisa na costa da Antártida, pesquisadores fizeram uma descoberta impressionante: diversos pinguins naturalmente mumificados, alguns deles preservados há mais de 5 mil anos. Os achados revelam habitats desconhecidos desses animais ao mesmo tempo que evidenciam os efeitos das mudanças climáticas.

As descobertas foram feitas em 2016, ao longo do Cabo Irizar, no Mar de Ross, no leste da Antártida. As múmias estavam espalhadas por vários cemitérios, junto de ossos e penas emergindo da neve derretida, tão frescas que pareciam recentes.

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O achado espantou os pesquisadores, pois desde que a região foi explorada pela primeira vez, por Robert Falcon Scott e sua equipe, no início do século 20, não foram encontradas evidências de uma colônia ativa de pinguins na região.

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No entanto, a datação das múmias revelou que elas eram mais antigas do que pareciam, pertencendo a três períodos diferentes: o mais antigo há 5 mil anos, e o mais recente há 800. Os pinguins foram mumificados devido às baixas temperaturas da Antártida, que impediram a ação dos microrganismos e enzimas decompositoras.

A partir desses achados, os pesquisadores descobriram que a região do Cabo Irizar foi ocupada por pinguins entre o Período Quente Medieval (800-1300 dC) e o início da Pequena Idade do Gelo (1300 dC). Nesse período, as temperaturas dessa região no verão em média eram -2 graus Celsius, muito mais frio do que atualmente.

Mudanças climáticas

As condições de clima do período podem ter criado uma camada espessa de neve e gelo, facilitando que os pinguins mantivessem uma colônia ativa. No entanto, agora, com as mudanças climáticas, as múmias desses animais estão aparecendo em meio a neve derretida. A temperatura média anual da região, aumentou cerca de 2 graus Celsius desde a década de 1980, causando muita perda de gelo.

Este recente degelo, revelando restos preservados há muito tempo que estavam congelados e enterrados até agora, é a melhor explicação para a confusão de restos de pinguins de diferentes idades que encontramos lá.

Steven Emslie, paleoecologista em comunicado

Do outro lado do globo, algo parecido tem acontecido. O derretimento das camadas de neve no Ártico tem revelado patógenos e criaturas há muito congeladas.