Aqui no Olhar Digital, sempre falamos sobre a estrutura que os carros elétricos ainda demandam. Afinal, não é em todo lugar que encontramos um carregador rápido à disposição no Brasil. Para desafiar essa desconfiança, viemos a Santiago, no Chile, para conhecer o casal Julie e Chris Ramsey.

Eles estão na expedição Pole to Pole (De Polo a Polo), que partiu do Círculo Polar Ártico, Polo Norte do planeta, e tem como destino final o Círculo Polar Antártico, Polo Sul da Terra. Eles estão a bordo de um Nissan Ariya, SUV elétrico da montadora.

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Nissan Ariya (Foto: Carlos Mattos/Olhar Digital)

Essa aventura não partiu do zero. Depois de trabalharem por anos em grandes companhias, curiosamente petrolíferas, o casal resolveu largar tudo e participar do Rally da Mongólia usando um Nissan Leaf. 

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“Precisávamos de um carro elétrico que fosse compacto, acessível e barato de manter. Nossa escolha recaiu sobre o Leaf.”, relatou Julie. Contudo, o Leaf contava apenas com 90 milhas de autonomia, aproximadamente 144 quilômetros. Por falta de estrutura, o casal precisou fazer 111 recargas em tomadas convencionais para cumprir o desafio, o que custou menos de 160 euros (aproximadamente R$ 860).

Mesmo com os problemas de recarga, o desafio foi cumprido em 56 dias e os dois passaram com o Leaf por Romênia, Azerbaijão e Cazaquistão, o que motivou Chris e Julie a planejar uma nova aventura: percorrer com o Nissan Ariya 27 mil quilômetros, saindo do Polo Norte, rumo ao Polo Sul. O desafio, claro, pediu algumas modificações no veículo.

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Nissan Ariya (Foto: Carlos Mattos/Olhar Digital)

Originalmente, o Nissan Ariya, vendido somente na Europa, Ásia e Estados Unidos, tem dois motores, sendo um em cada eixo, para garantir a tração integral e-4Force, que juntos entregam 394 cavalos de potência e 61,2 kgfm de torque, suficientes para levar o SUV de 0 a 100 km/h em 4,8 segundos. A bateria tem 87 kWh de capacidade, o que renderia até 610 km de autonomia. Porém, as modificações e as variações de temperatura no trajeto reduziram consideravelmente o alcance do carro, ficando na casa dos 400 km.

O veículo mantém 80% de sua originalidade, e as modificações ficam reservadas, basicamente, a suspensões que foram totalmente modificadas para lidar com o conjunto de rodas e pneus. Saem as originais de 19 ou 20 polegadas, dependendo da versão, e entram rodas aro 17 e pneus de 39 polegadas, transformando o Ariya em um off-road capaz de enfrentar os locais mais inóspitos do planeta, sem deixar os aventureiros na mão.

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A carroceria foi cortada para abrigar os gigantescos pneus e ganhou alargadores nas caixas de roda. No teto do carro também existe uma barraca, para caso não haja algum lugar para pernoitar, e um drone, para captar imagens da exuberante paisagem no trajeto. E como ninguém é de ferro, o interior do carro também leva uma máquina de café. 

(Foto: Carlos Mattos/Olhar Digital)
Nissan Ariya
Roda do Nissan Ariya usada na expedição (Foto: Carlos Mattos/Olhar Digital)
(Foto: Carlos Mattos/Olhar Digital)

A expedição começou em março deste ano, com previsão para 10 meses e 27 mil quilômetros percorridos, passando por 14 países — sendo um deles o Chile, onde fomos conhecer os aventureiros.

Segundo o casal, no mês de dezembro, se nada atrasar o cronograma, a expedição será finalizada com 32 mil km rodados, uma vez que a marca de 28 mil km foi batida ainda no Chile — restando aproximadamente mais 4 mil km para fechar a conta.