Os motoristas de aplicativos recebem menos por hora e trabalham mais horas por semana em comparação à média dos que dirigem fora das plataformas. É o que revelou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada na quarta-feira (25).

Para quem tem pressa:

  • Os motoristas de aplicativos recebem valores menores por hora e trabalham mais horas por semana do que a média dos que dirigem fora das plataformas, segundo a Pnad Contínua, do IBGE;
  • Dados coletados em 2022 mostram que os trabalhadores de aplicativos recebem, em média, R$ 11,80 por hora trabalhada, 87% do ganho dos que atuam fora (R$ 13,60);
  • Já o ganho médio por hora de motoboys que trabalham com entregas por app (R$ 8,70) representa 73% da remuneração por hora dos que não trabalham para plataformas (R$ 11,90);
  • Além disso, a média de horas trabalhadas por semana é maior para o motoboy de app (47,6 horas) do que para os demais (42,8 horas).

Os dados coletados em 2022 mostram que os trabalhadores de aplicativos recebem, em média, 13% menos dos que atuam fora. Já em relação aos motoboys que trabalham com entregas por app, a diferença é de 27%.

Leia mais:

O Brasil tinha quase 1,5 milhão de trabalhadores de aplicativos de serviços no quarto trimestre de 2022. Atualmente, o Ministério do Trabalho prepara a regulamentação do trabalho por aplicativos (Uber e iFood, por exemplo). A previsão é que a proposta seja enviada ao Congresso em novembro.

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Motoristas de aplicativo

Motorista de aplicativo
(Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Os motoristas de aplicativos recebem, em média, R$ 11,80 por hora trabalhada,segundo a Pnad Contínua. Isso representa 87% do ganho daqueles que atuam fora das plataformas (R$ 13,60).

Além disso, a pesquisa revela que as jornadas são mais extensas. Os motoristas de aplicativos trabalham, em média, sete horas a mais horas por semana (47,9 horas) que os que estão fora das plataformas (40,9 horas).

No fim do mês, os motoristas de aplicativo, com mais horas trabalhadas, chegam a um rendimento médio (R$ 2.454) ligeiramente superior aos ganhos dos que atuam fora de plataformas (R$ 2.412).

A estimativa é que, em 2022, havia um total de 1,2 milhão de pessoas ocupadas como condutores de automóveis na atividade principal de transporte rodoviário de passageiros. Desses, 60,5% trabalhavam por meio de aplicativos de transporte (inclusive táxi), enquanto 39,5% não utilizavam esses aplicativos.

Entregador de aplicativo

Motoboy
(Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Já em relação aos motoboys que trabalham com entrega por aplicativo, seu ganho médio por hora é de R$ 8,70 – 73% da remuneração por hora daqueles que não trabalham para plataformas (R$ 11,90).

Assim como acontece entre os motoristas, a média de horas trabalhadas por semana é maior para o motoboy que trabalha para aplicativo (47,6 horas) do que para os demais (42,8 horas).

Só que, mesmo com jornadas mais extensas, o ganho médio no fim do mês é menor para os que trabalham para plataformas (R$ 1.784) do que para os motoboys fora dos aplicativos (R$ 2.210).

Considerando os condutores de motocicletas em atividades de malote e entrega no trabalho principal, o IBGE estimou um total de 338 mil pessoas em 2022. Dessas, 50,8% atuam por meio de aplicativos de entrega, enquanto 49,2% trabalham fora das plataformas.

A pesquisa

Os valores de rendimento, segundo o IBGE, consideram a receita do trabalhador após descontar despesas com aquele trabalho. No caso dos motoristas e entregadores, um exemplo de despesa é o combustível.

Os dados sobre trabalhadores de plataformas, referentes ao quarto trimestre de 2022, foram divulgados pela primeira vez pelo IBGE. Por isso, ainda não há histórico que permita comparar o resultado com períodos anteriores.

Além disso, o IBGE informou que essas estatísticas, parte da Pnad Contínua, estão em fase de teste e sob avaliação.