Durante a Cúpula de Segurança de Inteligência Artificial no Reino Unido, a vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, anunciou diversas iniciativas e políticas que o país está investindo para proteger consumidores.

Conforme reportou o Engadget, essas novidades incluem: a criação do Instituto de Segurança da IA nos EUA, um projeto de orientação política sobre o uso de IA pelo governo e uma declaração sobre as aplicações militares dessa tecnologia.

O presidente Biden e eu acreditamos que todos os líderes, do governo, da sociedade civil e do setor privado, têm o dever moral, ético e social de garantir que a IA seja adotada e avançada de uma forma que proteja o público de danos potenciais e garanta que todos podem desfrutar de seus benefícios.

Assim como a IA tem o potencial de fazer um bem profundo, também tem o potencial de causar danos profundos, desde ataques cibernéticos possibilitados pela IA numa escala superior a qualquer outra que tenhamos visto antes, até armas biológicas formuladas pela IA que podem pôr em perigo a vida de milhões de pessoas.

Kamala Harris, vice-presidente dos Estados Unidos.

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As medidas são anunciadas pela vice-presidente dias após Joe Biden assinar um decreto que estabelece diretrizes abrangentes para regulamentação da IA no país. Com isso, o governo norte-americano, junto de órgãos governamentais, visam criar novos padrões de segurança e proteção para a tecnologia, garantindo privacidade, equidade e direitos civis dos usuários. Saiba mais.

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Segundo o The Telegraph, Harris anunciou durante a cúpula que os EUA mantêm conversas com as principais empresas de tecnologia para “estabelecer uma base mínima de práticas responsáveis de IA”. A vice-presidente também divulgou que cerca de 30 países já aderiram ao compromisso criado pelos EUA de “uso responsável da IA militar” e apelou para que mais países assinassem o acordo.

Além disso, durante a cúpula, dezenas de países participantes concordaram em apoiar uma investigação “internacionalmente inclusiva” sobre os modelos de IA mais avançados, trabalhando com organizações internacionais, como informou o Washington Post.

Os países apelaram em conjunto por políticas transfronteiriças para prevenir riscos de desinformação e potenciais de “danos catastróficos, deliberados ou não intencionais”.

Funcionamento do novo instituto

A secretária de Comércio dos EUA, Gina Raimondo, também fez um discurso na Cúpula de Segurança de IA no Reino Unido, comentando a criação do instituto de segurança de IA e dando mais detalhes sobre ele.

“Eu quase certamente vou chamar muitos de vocês na plateia que estão na academia e na indústria para fazerem parte deste consórcio”, afirmou ela em seu discurso, via Reuters. “Não podemos fazer isso sozinhos, o setor privado deve se envolver.”

Raimondo acrescentou que também se comprometeria com o estabelecimento de uma parceria formal do instituto dos EUA com o Instituto de Segurança do Reino Unido. O novo esforço estará sob o guarda-chuva do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST, na sigla em inglês) e liderará os esforços do governo dos EUA em relação à segurança de IA, especialmente na revisão de modelos de IA avançados.

O instituto “facilitará o desenvolvimento de padrões de segurança, segurança e testes de modelos de IA, desenvolverá padrões para autenticar conteúdo gerado por IA e fornecerá ambientes de teste para pesquisadores avaliarem riscos emergentes de IA e lidarem com impactos conhecidos”, afirmou o departamento.

Representantes de outros países

  • O vice-ministro de Ciência e Tecnologia, Wu Zhaohui, apresentou como o país está respondendo aos riscos apresentados pela IA.
  • Zhaohui disse que o governo chinês está empenhado em avaliar os riscos da IA e garantir que a tecnologia permaneça sob controle humano.
  • O primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, deu ênfase aos cenários mais preocupantes como a utilização da IA para implantar armas nucleares ou criar agentes biológicos.
  • O Rei Carlos III do Reino Unido participou da cúpula através de uma declaração de vídeo, onde comparou a necessidade de cooperação global da IA da mesma forma que as nações se reúnem para combater as mudanças climáticas.
  • “Devemos abordar de forma semelhante o risco apresentado pela IA com um sentido de urgência, unidade e força colectiva”, disse o Rei Carlos III.