A sexta e última temporada da série The Crown, da Netflix, já está disponível na plataforma de streaming para a alegria dos fãs. A história, que conta intrigas, romances e dramas que aconteceram ao longo do tempo envolvendo a realeza britânica, chegou ao delicado momento em que aconteceu o trágico acidente que resultou na morte da princesa Diana (Elizabeth Debicki), também conhecida como Princesa de Gales, Lady Di e Princesa do Povo (por suas ações filantrópicas).

Leia também:

A série retratou o que sucedeu no verão de 1997 e quais foram os acontecimentos que antecederam o acidente e a morte de Diana e Dodi Fayed (Khalid Abdalla), produtor de cinema com quem a princesa mantinha um romance na época, em Paris.

No entanto, embora seja baseada em eventos reais, a série também tomou a liberdade de retratar momentos imprecisos, com informações que são apenas especulações. Confira a seguir o que é real e o que é ficção sobre a morte de Diana na sexta temporada da série The Crown.

publicidade

The Crown: O que é verdade e o que é ficção

A morte de Diana em The Crown
Série The Crown. Crédito: Divulgação / Netflix

Charles e Diana mantiveram um relacionamento amigável antes do acidente

Verdade. Apesar de não ter nada que comprove a conversa entre os dois antes da morte da princesa Diana como mostra em The Crown, ao que tudo indica eles mudaram seu relacionamento para algo mais amigável antes do trágico acidente.

Em entrevista com à Time, Hugo Vickers, um especialista real que aconselhou a série, disse que o relacionamento entre Diana e Charles amadureceu para algo mais civilizado. “Não direi que de repente eles se tornaram amigos íntimos, mas como acontece com muitos pais divorciados, com o tempo as coisas se acalmaram e não ficaram mais difícil”.

Ele ainda afirma que os dois tinham interesse e preocupação mútuos com os filhos que os mantinham ligados.

Tina Brown, jornalista e apresentadora que mantinha um contato pessoal com Diana, afirmou na biografia da princesa The Diana Chronicles que certa vez ela confessou que ambos estavam em ótimos termos. “Charles criou o hábito que visitá-la no Palácio de Kensington e eles tomavam chá e trocavam palavras tristes. Eles até tiveram algumas risadas juntos”.

Dodi pediu Diana em casamento

Série The Crown. Crédito: Divulgação / Netflix

Ficção. Existem muitas especulações envolvendo a Princesa Diana, seu namorado Dodi e um anel comprado por ele. O pai de Dodi, Mohamed Al-Fayed, alegou que Diana e seu filho estavam noivos no dia em que a tragédia aconteceu, mas não há nenhuma comprovação de que o pedido tenha sido feito.

Embora o detetive e inspetor-chefe de Londres na época tenha afirmado que o anel foi encontrado no apartamento de Fayed, no inquérito da Operação Paget, Trevor Rees-Jones, guarda-costas que acompanhou Dodi e Diana em Monte Carlo em agosto de 1997, informou que eles não visitaram a Repossi Jewellers juntos, lugar onde o anel foi comprado.

Carro chamariz foi colocado em frente do Ritz para enganar os paparazzi

Verdade. Na série The Crown, pouco antes da morte de Diana, um carro estava na frente do Ritz para distrair os paparazzi, para que Diana e Dodi pudessem sair pela porta dos fundos. No relatório da Operação Paget, foi confirmado que essa estratégia foi, de fato, utilizada. Dois carros estavam dispostos na frente do edifício enquanto Diana e Dodi saiam por outro lugar, mas alguns paparazzi cobriram a porta dos fundos também, o que gerou em uma perseguição de motos atrás do carro em que eles estavam, momentos antes de acontecer a tragédia.

O motorista Henri Paul estava bebendo antes de dirigir o carro em que morreu a Princesa Diana e Dodi

Parcialmente verdade. Existe muito debate sobre a sobriedade do motorista que dirigia o carro em que estavam a Lady Di, Dodi e Trevor Rees-Jones (o único que sobreviveu ao acidente), mas as evidências da embriaguez de Henri Paul são um tanto incertas.

Em The Crown, Henri estava no bar, e havia dois copos de bebida na mesa em que estava, sugerindo que ele estava ingerindo álcool antes de entrar no carro. Na vida real, foram feitos testes toxicológicos que revelaram que Henri tinha cerca de três vezes mais álcool no sangue do que o recomendado na França, além de conter fluoxetina que, se misturada com álcool, é capaz de amplificar os efeitos da bebida.

Não há nada que indique que o motorista se embriagava com frequência, inclusive, ele havia feito seu exame anual para a renovação de sua licença alguns dias antes, e o teste sugeriu que ele estava apto para pilotar, não havendo sinais de álcool perante esse viés. Além disso, ele já tinha finalizado seu turno no trabalho quando supostamente havia começado a beber, e o inquérito da Operação Paget salienta que os resultados dos testes toxicológicos não são inteiramente confiáveis, deixando uma lacuna na história sobre esse detalhe.

O desaparecimento do príncipe William após a morte da mãe

Ficção. Após receber a notícia da morte de Diana, no quarto episódio de The Crown, William desaparece, gerando uma comoção geral. Passam a procurar pelo príncipe por toda Balmoral, mas ele só retorna após 14 horas, molhado de chuva.

Na vida real, o jovem príncipe de fato alega ter encontrado consolo religioso em Crathie Kirk, uma igreja frequentada pela realeza quando estão em Balmoral, contudo, não há nada que comprove que ele tenha desaparecido na época. William nunca admitiu isso, e não existem evidências deste fato.

Última ligação entre a princesa de Gales e seus filhos William e Harry

Verdade. William afirmou no documentário “Diana, nossa mãe: Vida e legado”, que carregará o peso da última conversa com sua mãe pra sempre. Na época, sem saber o que o destino os reservava, os jovens príncipes estavam mais interessados em encontrar os primos, e sua conversa ao telefone aconteceu muito rapidamente. “Se eu soubesse agora o que ia acontecer, não teria sido tão indiferente” disse o príncipe William, “Mas aquela ligação ficou gravada na minha mente [de forma] bastante pesada”.

Príncipe Harry recebeu um presente de aniversário da mãe após sua morte

Verdade. Em The Crown, Harry recebe um vídeo game de sua mãe após sua morte, destinado a ele para o dia do seu aniversário de 13 anos. Em seu livro Spare, o príncipe afirma que recebeu um Xbox e lhe foi dito que era da sua mãe, no entanto, o console só foi lançado em novembro de 2001, quatro anos após a morte de Diana, então essa pequena informação não condiz com a lógica.

Ainda em seu livro, Harry afirma que seu trauma pela morte da mãe afetou suas memórias, tornando confusas as lembranças daquela época corretamente.

A hesitação da rainha Elizabeth II em fazer um discurso sobre o falecimento de Diana

Parcialmente verdade. Na série, a rainha Elizabeth foi retratada de uma forma um pouco dura ao escolher se pronunciar diante da morte de Diana cinco dias após o ocorrido, por meio de um discurso na TV.

Essa demora a falar sobre o assunto realmente aconteceu, mas, em sua declaração, ela explicou que durante o período que permaneceu calada, estava cuidando de seus netos, William e Harry, que sofriam pela perda prematura da mãe.

A rainha também fez um pequeno gesto quando o caixão da falecida princesa de Gales passou em frente ao Palácio de Buckingham, um leve inclinar de cabeça como forma de reconhecimento. Levando em consideração que a rainha não é obrigada a saudar ou reconhecer ninguém, o gesto teve um grande peso para a história.

Fontes: The Operation Paget inquiry report into the allegation of conspiracy to murder | Time | Time | Reuters