Uma equipe de pesquisadores utilizou imagens de satélite e medições oceanográficas in-situ para observar a Geleira Cadman, na Península Antártica Ocidental, por mais de 30 anos. As observações revelaram um recuo de 8 quilômetros do gelo que aconteceu rapidamente entre os anos de 2018 e 2021, o resultado foi um colapso total da sua plataforma de gelo.

Para quem tem pressa:

  • O recuo da geleira resultou no colapso total da plataforma de gelo, responsável por sustentar a parte terrestre da Cadman;
  • Os pesquisadores apontam que isso resultará em uma maior perda de água e consequentemente aumento do nível do mar;
  • Outras geleiras próximas não sofreram o recuo drástico, provavelmente as cristas oceânicas as protegem da água mais quente.

Os pesquisadores por trás do estudo, recentemente publicado na revista Nature, apontaram, em comunicado, estar surpresos com a velocidade com que a Geleira Cadman se desestabilizou rapidamente e teve uma perda de gelo significativa.

Eles ainda apontam que embora a geleira tenha provavelmente recuado desde o início das observações, a rápida perda em cerca de 2,5 anos se deu devido às temperaturas oceânicas mais quentes causadas pelo aquecimento global, enfraquecendo a plataforma de gelo até que ela entrasse em colapso.

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A perda da plataforma de gelo, responsável por sustentar a parte terrestre da Cadman, pode deixar as coisas ainda piores. Acredita-se que isso fará com que a geleira perda ainda mais água, contribuindo para o aumento do nível do mar.

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Outras geleiras próximas

Costa montanhosa da Península Antártica. Outras geleiras da região não sofreram um recuo drástico do gelo (Crédito: Professora Anna Hogg)

As observações também chamaram a atenção dos pesquisadores para outras coisas. As geleiras em torno da Cadman parecem não ter passado pelo mesmo recuo drástico, o que pode fornecer informações importantes para realização de projeções de como as mudanças climáticas afetarão as regiões polares.

A hipótese para as altas temperaturas oceânicas não ter afetado essas outras regiões da Península Antártica Ocidental são as cristas oceânicas que podem ter funcionado como barreiras de proteção. No entanto, se medidas para reduzir o aquecimento global e oceânico não forem tomadas, talvez a geologia não seja suficiente para proteger as geleiras.

O que esta nova investigação mostra é que os glaciares aparentemente estáveis ​​podem mudar muito rapidamente, tornando-se instáveis ​​quase sem aviso, e depois afinando e recuando muito fortemente. Isto enfatiza a necessidade de uma rede abrangente de observação dos oceanos em torno da Antártida, especialmente em regiões próximas dos glaciares que são especialmente difíceis de fazer medições.

Michael Meredith, coautor do estudo