Um relatório publicado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), braço da Organização das Nações Unidas (ONU), aponta que houve melhora nos índices de conectividade global, especialmente em relação ao 5G. Apesar disso, ainda existe um verdadeiro abismo entre os países mais desenvolvidos e os menos desenvolvidos quando o assunto é o acesso à internet.

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Desigualdade

  • Os dados apontam que, pela primeira vez, os serviços de banda larga fixa representaram mais de 80% do tráfego global da Internet em 2022.
  • Enquanto nos países mais ricos a assinatura de banda larga em casa é praticamente universal, nas nações com baixa renda existe um assinante para cada 100 pessoas.
  • Segundo a UIT, o preço ainda é proibitivo para milhões de pessoas.
  • As informações são do portal Tele.Síntese.
Representação artística de uma rede global de internet (Imagem: New Africa/Shutterstock)

Conectividade 5G

O relatório aponta ainda que, além de menos pessoas online, os países em desenvolvimento utilizam menos dados, o que significa que não atingem todo o potencial da conectividade ou não percebem os benefícios da transformação digital.

Globalmente, a média mensal de utilização de dados foi de 257 GB por assinatura de banda larga fixa, em comparação com 11 GB por assinatura de banda larga móvel em 2022. Mas o tráfego mensal de banda larga fixa em países de baixa renda foi em média de 161 GB, em comparação com apenas 1 GB para dispositivos móveis.

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Há razões para estarmos otimistas, mas a taxa de crescimento é desigual e os novos indicadores sobre a cobertura da rede 5G e o tráfego de Internet destacam as disparidades contínuas entre países de alta e baixa renda, aprofundando a exclusão digital.

Dr. Cosmas Luckyson Zavazava, Diretor do Gabinete de Desenvolvimento das Telecomunicações da UIT

O documento destaca também que a cobertura da rede móvel 5G atinge hoje quase 40% da população mundial. Esse é o maior patamar desde a implantação comercial da tecnologia, em 2019. No entanto, a distribuição é desigual. Embora 89% das pessoas nos países de renda alta estejam cobertas por redes 5G, o serviço está quase ausente nos países de baixa renda.

O 3G ainda é a principal forma de acesso á internet em alguns locais do planeta, porém, é muito limitada. O serviço 4G continua a ser um caminho para uma conectividade significativa, mas atinge apenas 39% da população em países de baixa renda.

Homens têm mais acesso do que mulheres

A ONU indica que 5,4 bilhões de pessoas, ou 67% da população mundial, utilizam a internet. Na Europa, na Comunidade de Estados Independentes e nas Américas, cerca de 90% da população utiliza a rede. Nos Estados Árabes, na Ásia e no Pacífico, dois terços (66%) acessam a internet. Apenas 37% da população utiliza a internet na África.

A exclusão digital de gênero é um problema. Globalmente, 70% dos homens utilizam a internet, em comparação com 65% das mulheres.

Em todas as regiões, os jovens estão mais conectados do que o resto da população. Em todo o mundo, 79% das pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos utilizam a internet, 14 pontos percentuais mais do que o resto da população.