Um estudo recente mostra que pessoas com lesões cerebrais podem melhorar seu foco e atenção através de estimulação cerebral profunda.

Publicada nesta semana na revista Nature, a pesquisa foi uma colaboração entre diferentes universidades, como a de Stanford, Weil Cornell Medicine e Harvard Medical School.

Os cientistas analisaram lesões cerebrais moderadas e graves de cinco pessoas através de eletrodos implantados em suas cabeças, como informou o New York Times.

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Gina Arata, uma das voluntárias que recebeu o implante, sofreu um acidente de carro que a deixou com problemas emocionais e de memória. O incidente mexeu completamente com sua vida, fazendo com que ela desistisse de estudar direito.

Após 18 anos do acidente, Arata recebeu o implante e considera que sua vida mudou completamente. “Posso ser um ser humano normal e conversar. É incrível como me vi melhorar”, disse.

Segundo os pesquisadores, todos os participantes que sofreram lesões cerebrais conseguiram recuperar pelo menos algumas das funções cognitivas.

Como funciona o implante?

Como relata o FierceBiotech, o dispositivo de neuroestimulação foi implantado para ativar o núcleo lateral central do tálamo, que transmite sinais por todo o cérebro. Essa área do cérebro é responsável pela consciência do corpo. Por isso, lesões podem prejudicar gravemente a cognição de uma pessoa.

Nesses pacientes, essas vias estão praticamente intactas, mas tudo foi regulado negativamente. É como se as luzes tivessem diminuído e não houvesse eletricidade suficiente para acendê-las novamente.

Jaimie Henderson, co-autora sênior do estudo e professora de neurocirurgia em Stanford.

Resultados do estudo

Após o implante, os participantes passaram por um período de estudo no qual foram submetidos a uma avaliação padronizada de comprometimento cognitivo com letras e números cujas pontuações saltaram de 15% para 52%.

Nas atividades do mundo real, as melhorias cognitivas dos dispositivos de neuroestimulação foram vistas ao ler livros, jogar videogames ou simplesmente ficar acordados durante todo o dia.

Gina Arata relata algumas mudanças em sua vida após o implante:

Desde o implante, não recebi nenhuma multa por excesso de velocidade. Eu não viajo mais. Lembro-me de quanto dinheiro há na minha conta bancária. Eu não conseguia ler, mas depois do implante comprei um livro, ‘Where the Crawdads Sing’, adorei e lembrei-me dele. E eu não tenho mais o temperamento explosivo.

Gina Arata, paciente voluntária do estudo.

O próximo passo dos investigadores envolve um estudo amplo com um grupo maior de participantes.

Steven Laureys, neurologista da Universidade de Liège, na Bélgica, que não esteve envolvido no estudo, disse que os resultados apoiam a teoria de que a atenção e outras formas de pensamento dependem da rede cerebral. 

Ele lembrou que as cirurgias de implantes seriam caras, mas argumentou que a sociedade deveria reconhecer milhões de pessoas que sofrem de lesões cerebrais traumáticas. “Esta é uma epidemia silenciosa”.