Por meio de uma chamada pública realizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), diversas empresas aeroespaciais brasileiras apresentaram propostas para o desenvolvimento de um novo foguete lançador de satélites para a órbita baixa da Terra.

O ministério avaliou, entre outros pontos, o grau de inovação de cada projeto apresentado e seu impacto de médio e longo prazos – incluindo o potencial de geração de empregos e a capacidade de internacionalização. Foram analisadas, também, a experiência e a capacidade técnica e operacional das concorrentes.

E duas propostas foram selecionadas – ambas apresentadas por grupos liderados por empresas de tecnologia aeroespacial de São José dos Campos (SP). Esses projetos serão custeados com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), sob acompanhamento da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), vinculada ao MCTI, e da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Essa iniciativa tem o objetivo de trazer o apoio da iniciativa privada para o cumprimento de um marco de fundamental importância para o programa espacial do Brasil: ter um veículo lançador capaz de, a partir do território nacional, colocar em órbita um satélite também brasileiro.

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Os contratos foram anunciados nesta quarta-feira (13), durante solenidade em Brasília, com a presença da ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e do presidente da FINEP, Celso Pansera, entre outras autoridades.

Parceria entre setor público e privado viabilizará o desenvolvimento de veículos lançadores. Crédito: Divulgação MCTI

A ideia envolve o desenvolvimento de um veículo lançador de pequeno porte capaz de levar ao espaço nano e microssatélites

Para isso, os grupos liderados pela Akaer Engenharia e pela CENIC vão receber um aporte de cerca de R$185 milhões cada, nos próximos três anos, para investir em seus respectivos projetos – um dos maiores contratos de subvenção econômica à inovação já celebrados no país.

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Em comunicado, a Akaer diz que “a construção do veículo lançador representa um enorme salto para o Brasil, assegurando maior autonomia de acesso ao espaço”. Atualmente, apenas 13 países dominam essa tecnologia.

Liderar um projeto de tamanha importância para o futuro do país é uma grande honra para a Akaer, que tem a inovação em seu DNA.

Cesar Silva, CEO da Akaer 
Representação gráfica do Veículo Lançador Montenegro MKI, da Akaer Engenharia. Crédito: Divulgação Akaer Engenharia

No Brasil, já temos o Centro de Lançamento de Alcântara e a Barreira do Inferno. Também o desenvolvimento de satélites pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e outras instituições e empresas que dominam essa técnica. Entretanto, veículos nacionais capazes de lançar tais satélites, nós ainda não temos. Essa é uma oportunidade ímpar, que pode proporcionar um impacto fortemente positivo na nossa economia.

Ralph Correa, sócio-diretor da CENIC
Etapas de operação pós-lançamento apresentadas pela CENIC. Crédito: Divulgação CENIC

Foguete brasileiro será pioneiro na América do Sul

Desde o lançamento frustrado do brasileiro VLS, em 1997, um desses protótipos será o primeiro lançador de satélites não só do país como da América do Sul, se tudo sair conforme o planejado.

A previsão é que o protótipo do futuro veículo tenha capacidade para transportar de cinco a 30 kg de carga útil na órbita equatorial, com a realização das operações de lançamento a partir do Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão, mais conhecido como Base de Alcântara, ou do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, a 12 km da capital Natal.

“Os nanossatélites e microssatélites movimentaram US$2,8 bilhões em 2022, e é esperado que esse mercado alcance US$6,7 bilhões até 2027. Além dos ganhos científicos e das possíveis aplicações em diversas áreas, o projeto apoiado pela FINEP insere o Brasil em um mercado muito promissor”, afirma Silva.

A proposta da Akaer tem como coexecutoras as empresas Acrux, Breng Engenharia e EMSYST. Já a CENIC conta com a colaboração da Concert Technologies, PlasmaHub, ETSYS e Delsis.

Esse é um marco importante no Programa Espacial Brasileiro, em que iremos promover a autonomia do país, principalmente na tecnologia e acesso ao espaço, permitindo que, no futuro, o Brasil integre o seleto grupo de nações que tem acesso ao espaço, e também, obviamente é um fortalecimento da nossa indústria nacional para o desenvolvimento dos sistemas espaciais de que a nação tanto necessita.

Rodrigo Leonardi, diretor de gestão de portfólio da AEB.

 “Daqui dez anos, eu quero que o Brasil seja detentor da tecnologia de veículos lançadores e que, de forma regular e contínua, nós lancemos do território nacional, com um veículo lançador nacional, os nossos próprios satélites”, conclui Leonardi.