Enfrentando uma investigação após um acidente com um de seus robotáxis, a Cruise decidiu demitir mais 900 funcionários da empresa, o equivalente a 24% de sua força de trabalho. A dispensa, que já era esperada ante a atual situação da companhia, foi confirmada pela subsidiária da GM ao Engadget. 

Para quem tem pressa: 

  • A demissão não foi exatamente uma surpresa, já que a empresa havia anunciado um plano de reestruturação e retomada que envolvia redução de custos; 
  • A notícia, no entanto, chega logo após a Cruise também dispensar nove importantes executivos, incluindo Gil West, que atuava como Diretor de Operações; 
  • Esse não é o primeiro corte que a fabricante faz após entrar em crise, resultado de uma investigação iniciada pela Administração Nacional de Segurança Rodoviária dos EUA (NHTSA); 
  • Ambos os fundadores da Cruise, Kyle Vogt e Daniel Kan, renunciaram a seus cargos de CEOs recentemente — quando ainda estava na empresa, Kan alertou que cortes inevitáveis aconteceriam.

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Compartilhamos a difícil notícia de que estamos reduzindo nossa força de trabalho, principalmente em operações comerciais e funções corporativas relacionadas. Essas mudanças refletem nossa decisão de focar em planos de comercialização mais deliberados, tendo a segurança como nossa estrela norte. Estamos apoiando os ‘Cruzeiros’ impactados com fortes pacotes de indenizações e benefícios e somos gratos aos funcionários que partiram e que desempenharam papéis importantes na construção da Cruise e no apoio à nossa missão. 

Cruise ao Engadget. 

Vale lembrar que as demissões chegam ainda enquanto a Cruise corre risco de multa por reter detalhes do acidente, que ocorreu em outubro. A Comissão de Serviços Públicos da Califórnia (CPUC) notificou a divisão de autônomos da General Motors para uma audiência em 6 de fevereiro — a empresa pode enfrentar penalidade de US$ 1,5 milhão em multas e sanções adicionais. Entenda aqui!   

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O que aconteceu? 

  • No início de outubro, um robotáxi da Cruise atropelou e arrastou por 6,1 metros um pedestre em São Francisco (EUA). Na ocasião, o AV da empresa não conseguiu parar ante a um pedestre que havia acabado de sofrer outro atropelamento, colidindo com a vítima novamente;
  • Com isso, a NHTSA revogou as licenças da empresa para operar no país e abriu uma investigação contra a divisão de autônomos da GM;
  • Embora a Cruise esteja confiante de que se reerguerá em breve, inclusive com um plano de retomada (veja aqui), investidores apontam que a recuperação da empresa levará tempo.  

Sabíamos que este dia estava chegando, mas isso não o torna menos difícil — especialmente para aqueles cujos empregos foram afetados. Para começar, estamos simplificando e concentrando nossos esforços para voltar com um serviço excepcional em uma cidade e focando na plataforma Bolt para esta primeira etapa antes de escalarmos. Como resultado, estamos reduzindo o número de funcionários nas operações e em outras áreas. 

Mo Elshenawy, novo presidente e CTO da Cruise, em comunicado oficial no blog da empresa.