Por Thales Gonçalves Marostegon, Gerente de Produtos de Inteligência Artificial e UX Design na Finch
Soluções

Estamos encerrando o ano de 2023 e, à medida que esse ciclo se conclui, testemunhamos o início de uma revolução incrível na inovação do mercado jurídico. Este ano foi um verdadeiro game-changer, marcado pela chegada de ferramentas como o ChatGPT e pela consolidação dos pilares de LegalOps e Jurimetria.

Também surgiram novas funcionalidades e soluções inovadoras que estão descomplicando o mundo jurídico. Os eventos e feiras do setor bombaram com debates que abriram nossa mente e mostraram cases reais de inovação e eficiência.

Diante desse panorama animador, fica a pergunta no ar: o que vem por aí? Temos um mar de possibilidades e informações que estão criando um mix de ansiedade e expectativa no mundo jurídico. Pensando nisso, vamos mergulhar nas tendências que prometem dar o que falar no mercado legal em 2024.

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Em relação ao uso da IA generativa, este ano foi, sem dúvida, um marco disruptivo não apenas para o mundo jurídico, mas para o mercado como um todo. A democratização do uso da IA generativa e as possibilidades que a acompanham abriram um vasto horizonte a ser explorado em busca de eficiência. Foi uma verdadeira “redpill” do Matrix.

No entanto, como em tudo na vida, há um período de exploração e adaptação antes de podermos incorporá-la da melhor forma possível. No que tange à IA generativa, o ano de 2024 será crucial para consolidar essa poderosa ferramenta, que desempenha um papel fundamental em quase todas as operações e atividades. Cadastros, criação de documentos, análise e interpretação de documentos, resumos concisos, análise de risco e revisão de cláusulas, por exemplo — tudo isso terá a IA generativa como um auxiliar eficiente.

Quem não estiver a utilizando de forma eficaz ficará para trás. Mas, calma! Não basta apenas usar a IA generativa indiscriminadamente sem aliar isso à inteligência de negócios. A IA é uma caixa de ferramentas que não resolve o problema por si só; o segredo está em usar a ferramenta certa no contexto apropriado.

IA fazer tudo
(Imagem: I Am Nikom/Shutterstock)

Há algum tempo já ouvimos falar sobre ser “data-driven” no mercado jurídico. Indicadores, KPIs, jurimetria, tudo isso está sempre em pauta. Em feiras, sempre há casos, discussões e sistemas com dashboards e indicadores, mas muitas vezes limitados a dados estruturados de tribunais, o que hoje já é uma commodity. Por outro lado, dados mais difíceis de obter, como aqueles de documentos jurídicos ou de sistemas auxiliares de empresas, frequentemente remetem a projetos longos e caros baseados em informações do passado. Isso mudará no próximo ano.

O mercado quer mais, e terá! A estruturação de dados e sua análise em tempo real podem transformar indicadores e a jurimetria. Essa será uma grande mudança para 2024: a chegada de dados complexos em tempo real nas mãos de quem precisa tomar decisões.

Operações complexas, fluxos operacionais ramificados, preenchimentos de campos baseados em múltiplas regras, diversos sistemas para finalidades específicas, estratégias baseadas em condicionais e políticas da empresa — quem não vê essa realidade nos departamentos jurídicos e escritórios de advocacia?

Com isso, sempre temos que recorrer a extensos manuais e profissionais experientes, e mesmo assim, erros são comuns. Mas a criação de assistentes virtuais personalizados por meio de IA também promete revolucionar a eficiência operacional em 2024. Imagine ter um pop-up acessível, como um oráculo, para auxiliar em todos os processos e tarefas. Pois é, essa é uma das principais apostas para o futuro das Operações Legais.

Imagem: NicoElNino / Shutterstock.com

Outra tendência a ser discutida aqui são as consultorias especializadas em LegalOps. As consultorias estão se tornando essenciais no mercado jurídico. Elas orientam na construção de fluxos de trabalho mais eficientes, processos bem estruturados, sugerindo automações e ferramentas que maximizam a produtividade e reduzem custos. Investir em tecnologia sem saber como utilizá-la é inútil.

Importância do design

Nosso judiciário e as ferramentas do CNJ já são complicados o suficiente, certo? Pois é. O design tem se mostrado importante em documentos e petições com Legal Design há alguns anos, mas gostaria de chamar a atenção para o design das ferramentas e sistemas desenvolvidos para nosso mercado. Remover etapas desnecessárias, diminuir cliques, focar no que é importante, apresentar funcionalidades corretamente, criar telas voltadas para a eficiência da tarefa — esse é o valor de um design focado na experiência do usuário.

Atualmente, muitas ferramentas de mercado possuem múltiplos módulos e funcionalidades, com nomes confusos e uma experiência voltada para a quantidade, não para a qualidade. Isso está prestes a mudar, pois o mercado quer eficiência e economia de tempo na execução de tarefas. Ferramentas mais enxutas e voltadas para a melhoria da experiência do usuário prometem ser mais relevantes daqui para frente.

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Imagem: shutterstock/jittawit21

O futuro

À medida que o ano de 2023 se encerra, emergem tendências no mercado jurídico, e nos preparamos para os desafios e oportunidades que 2024 trará. As inovações deste ano, desde a IA generativa até os avanços em LegalOps e Jurimetria, não representam apenas mudanças pontuais; são indicativos de uma evolução contínua em nossa área. Permanece a questão: estamos prontos para essas transformações?

Enquanto avançamos para 2024, é importante estarmos preparados para abraçar novas tecnologias e práticas. Nossa capacidade de adaptação e abertura para novas metodologias serão essenciais, não apenas para sobreviver, mas também para prosperar em um ambiente em constante mudança. O futuro promete ser desafiador, mas igualmente repleto de oportunidades para aqueles dispostos a se adaptar e evoluir.