Uma descoberta importante sobre o campo magnético da Terra foi possível graças a inscrições antigas encontradas em tijolos da Mesopotâmia, que exaltavam os reis da época. Os resultados das análises desses achados foram descritos em um artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Segundo o estudo, esses tijolos ajudaram a revelar detalhes surpreendentes sobre um fortalecimento magnético que se estendia da China ao Oceano Atlântico, especialmente próximo ao atual Iraque, ao longo de 500 anos, iniciado há mais de três milênios.

Um tijolo de barro datado de aproximadamente três mil anos atrás, com uma inscrição que diz: “Palácio de Iakūn-dīri filho de Suma/tanim, rei da terra Huršitum”. Crédito: Matthew D. Howland

O campo magnético do planeta não é estático: ele muda com o tempo e em diferentes regiões. Às vezes, surgem áreas fracas sem motivo claro, enquanto outras apresentam uma força inexplicável. Esse campo é crucial para nossa proteção contra a radiação espacial e para a orientação de sistemas de navegação, além de influenciar a migração de animais.

Leia mais:

publicidade

Campo magnético da Terra pode sofrer mudanças rápidas e intensas

Compreender essa dinâmica é fundamental, mas também desafiador. A descoberta de inscrições em tijolos antigos na Mesopotâmia trouxe uma nova luz a esse enigma. Esses tijolos continham grãos de óxido de ferro que retiveram a direção e a força do campo magnético no momento em que foram fabricados.

A investigação desses tijolos revelou que o campo magnético da região era quase o dobro de mil anos antes, sobretudo durante o reinado de Nabucodonosor II, conhecido também por suas construções monumentais.

A medição do magnetismo desses grãos nos tijolos sugeriu flutuações rápidas e significativas no campo magnético em um curto período de 42 anos. Isso confirma a ideia de que o campo geomagnético pode sofrer mudanças rápidas e intensas – algo que intriga os cientistas até hoje.

Estudo representa avanço no estudo do campo magnético da Terra. Crédito: Mopic/Shutterstock

Embora esse estudo represente um avanço na compreensão do campo magnético da Terra, ainda há mistérios a serem desvendados. O trabalho ajudou os historiadores ao oferecer detalhes sobre a sequência de reinados na região, corroborando uma das linhas de tempo propostas.

Anomalias magnéticas não são eventos exclusivos do passado. A Anomalia do Atlântico Sul, por exemplo, que persiste até hoje, tem milhões de anos. Cientistas rastrearam suas mudanças usando cinzas de cabanas queimadas entre 800 e 500 anos atrás na área, já que falta um método de datação similar ao utilizado nos tijolos da Mesopotâmia.

A investigação dos tijolos mesopotâmicos fornece uma visão fascinante sobre a história do campo magnético da Terra, trazendo insights valiosos não apenas para os físicos, mas também para os estudiosos da história antiga.