O Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona utilizou imagens de naves espaciais e dados de penetração no solo para reconstruir os fluxos de lava em diferentes regiões de Marte, conforme reportou o Space.com.

De acordo com a equipe, as quantidades de lava do planeta surgiram de inúmeras fissuras que datam um milhão de anos. Nas capturas de imagens, a equipe documentou mais de 40 eventos vulcânicos de mais de 120 milhões de anos na planície equatorial Elysium Planitia. 

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Os autores do estudo publicado no Jornal Geophysical Research explicam que Elysium Planitia é o terreno vulcânico mais jovem do planeta e estudá-los ajuda a “compreender melhor o passado de Marte”.

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O trabalho de pesquisa do laboratório ajudará nas investigações se Marte pode ter abrigado vida em algum momento. Isso porque, segundo as evidências, a região de Elysium Planitia sofreu com grandes inundações de água. Os registros também mostram a interação da lava com água ou gelo, eventos que moldaram a paisagem do planeta.

(Crédito: ESA/DLR/FU Berlim)

Outro aspecto que colabora para os estudos de vida na região é que a região de planície apresentava evidências de explosões de vapor, que, segundo os pesquisadores, são interações de “grande interesse” para os astrólogos, pois podem ter criado “ambientes hidrotermais propícios à vida microbiana”.

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A partir das imagens tridimensionais e medições de radar subterrâneo, a equipe descobriu que as erupções vulcânicas do planeta podem lançar a água da região de magma de Marte na atmosfera e na superfície do planeta. Na atmosfera, a água irá congelar, e na superfície ela tende a evaporar.

Marte
(Crédito: ESA/DLR/FU Berlim)

Quando há uma fissura na crosta marciana, a água pode fluir para a superfície. Por causa da baixa pressão atmosférica, é provável que a água simplesmente ferva. Mas se houver água suficiente saindo durante esse período, você pode obter uma enorme inundação, correndo pela paisagem e esculpindo essas enormes características que nós vemos.

Christopher Hamilton, professor do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona

Joana Voigt, principal autora do estudo, explica que a região é o local perfeito para estudar como as erupções vulcânicas provocam uma ligação entre a superfície e interior do planeta.

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Prestei muita atenção aos detalhes das superfícies de lava para tentar desvendar os diferentes eventos de erupção e reconstruir toda a história destas entidades geológicas.

Essas áreas que costumavam ser consideradas sem graça e chatas, como Elysium Planitia, acho que contêm muitos segredos e querem ser lidas.

Joana Voigt, pesquisadora pós-doutoral da Universidade do Arizona.

Os pesquisadores pretendem continuar capturando imagens (com diferentes métodos) da região para um conjunto mais complexo de dados e criar representações a partir de imagens 3D.