A Human Rights Watch acusou a Meta de remover ou restringir repetidamente postagens de apoio à Palestina ou aos direitos humanos palestinos. Segundo a organização internacional de defesa dos direitos humanos, isso acontece mesmo quando as publicações não violam nenhuma regra das redes sociais.

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Critérios de moderação de conteúdo da Meta são questionados

  • A acusação é embasada em um relatório que levanta preocupações sobre a forma que a empresa está agindo em meio à guerra entre o grupo terrorista Hamas e Israel.
  • O documento aponta que conteúdos pró-Palestina têm sido sistematicamente retirados do ar mesmo sem nenhuma menção ao terrorismo ou violência.
  • Em função disso, a Human Rights Watch pede que a Meta altere ou esclareça como são tomadas as decisões de moderação de conteúdo nas redes sociais.
  • Além disso, a entidade fez um apelo para que a empresa adote os mesmos critérios para conteúdos de outros grupos políticos.
  • As informações são da CNN.

O que dizem a acusação e a defesa

A Human Rights Watch disse ter identificado mais de mil postagens com conteúdo pró-Palestina que não violaram as regras da Meta, mas que foram restritas ou removidas durante outubro e novembro de 2023.

Isso incluiu publicações com imagens de corpos feridos ou mortos em hospitais da Faixa de Gaza e comentários dizendo “Palestina livre” e “Pare o genocídio”. Em outro caso, o grupo disse que uma usuária tentou postar um comentário com uma série de emojis da bandeira palestina e recebeu um aviso do Instagram de que aquele conteúdo poderia “ser prejudicial para os outros”.

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A conclusão do relatório é que usuários que apoiam a Palestina enfrentam uma fiscalização e moderação de conteúdo nas redes sociais muito maior do que quem faz postagens a favor de Israel, por exemplo.

A maneira como a Meta aplica essa política efetivamente proíbe muitos posts que endossam grandes movimentos políticos palestinos e reprime a discussão em torno de Israel e da Palestina.

Relatório da Human Rights Watch

Em resposta, a Meta reconheceu algumas falhas. No entanto, afirmou que o relatório da Human Rights Watch não reflete os esforços da empresa para proteger o discurso relacionado ao conflito entre Israel e Hamas.

Este relatório ignora as realidades de aplicar nossas políticas globalmente durante um conflito rápido, altamente polarizado e intenso, que levou a um aumento no conteúdo que nos foi relatado. Nossas políticas são projetadas para dar voz a todos e, ao mesmo tempo, manter nossas plataformas seguras. Reconhecemos prontamente que cometemos erros que podem ser frustrantes para as pessoas, mas a implicação de que deliberadamente e sistemicamente suprimimos uma determinada voz é falsa.

Meta, em comunicado
facebook israel palestina
Discussões sobre conflito entre Israel e Palestina tomaram conta das redes sociais (Imagem: Nap1 / Shutterstock.com)

Guerra Israel-Hamas e as redes sociais

Segundo analistas, a mais recente guerra no Oriente Médio escancarou, mais uma vez, os desafios das empresas de tecnologia no sentido de minimizar a disseminação de conteúdo falso ou extremista. Em conflitos passados, as redes sociais foram fortemente criticadas por não agir contra a propagação desses conteúdos ou até mesmo por ser excessivamente zelosas, impedindo a circulação até mesmo de informações verdadeiras.

Apesar do Hamas ser banido das redes sociais, desde o início do conflito diversas contas favoráveis ao grupo terrorista ganharam centenas de milhares de seguidores. Além disso, diversas postagens com imagens dos ataques ou difundindo ideias extremistas se propagaram pela internet.

Enquanto conteúdos abertamente pró-terrorismo circulam nas redes, há milhares de relatos de postagens que não faziam qualquer apologia ao Hamas, apenas defendendo a criação de um Estado Palestino, e que foram simplesmente tiradas do ar. É o caso do mais recente relatório divulgado pela Human Rights Watch.