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Também chamada de Estrela-Guia, a Estrela de Belém revelou o nascimento de Jesus aos Três Reis Magos e, posteriormente, os guiou até ele, segundo a crença cristã. Melquior, Baltazar e Gaspar teriam levado presentes ao bebê e o adorado como o futuro rei dos judeus. 

Mas, qual seria a explicação astronômica para a Estrela de Belém? 

De acordo com Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital, durante séculos, não era permitido aos homens buscar explicações para os “milagres de Deus”. Então, esse assunto só foi estudado de forma mais profunda muito recentemente. 

Segundo a crença cristã, a Estrela de Belém guiou os Três Reis Mago até o local de nascimento de Jesus. Crédito: Romolo Tavani – Shutterstock

“Um dos principais complicadores neste estudo é a divergência na contagem do tempo pelos povos”, explica Zurita. “O calendário hebraico adotado na Judeia não era o mais preciso dos calendários e não era sincronizado com o calendário juliano, o oficial de Roma. Por isso, não é certeza que Jesus tenha nascido exatamente 2023 anos atrás”.

Nascimento ou morte de uma estrela?

Uma das explicações para o fenômeno seria o nascimento de uma estrela. No entanto, segundo Zurita, é a menos provável. “Isso porque esse tipo de fenômeno é algo muito raramente observado. Praticamente todas as estrelas visíveis a olho nu em nosso céu noturno estão em um raio de apenas 2 mil anos-luz da Terra e não se conhece nenhuma estrela nessas proximidades que tenha nascido há menos de 100 milhões de anos”.

Outra hipótese considerada, e que foi muito falada uns anos atrás, é que a Estrela de Belém, na verdade, não seria uma estrela e sim uma conjunção planetária. “Por essa teoria, Vênus e Júpiter, os planetas mais brilhantes do céu noturno, teriam ficado tão próximos que se pareceram uma única estrela bem mais brilhante”, explica Zurita. 

O especialista ressalta, no entanto, que o brilho somado de Vênus e Júpiter não é algo tão extraordinariamente mais luminoso. “Além disso, conjunções tão próximas, ao ponto de serem percebidas como um único astro, só seriam visíveis por algumas horas, e nós sabemos que a Estrela de Belém guiou os magos por várias noites”.

Uma terceira possibilidade, que está entre as explicações mais aceitas, é a de que os reis magos teriam visto uma explosão de supernova. Quando estrelas muito massivas chegam ao final de sua vida, elas colapsam e explodem em um evento extremamente energético e luminoso chamado de supernova

Explosão de supernova no centro da Via Láctea. Crédito: muratart – shutterstock

Chineses registraram cometa cinco anos antes

Segundo Zurita, uma supernova pode brilhar mais intensamente que toda sua galáxia, e seu brilho intenso permanece visível no céu por várias noites. “Então, ela poderia, de fato, guiar nossos magos, que, provavelmente, eram astrólogos e teriam se surpreendido com um fenômeno tão diferente”. 

Ele destaca que a única objeção a essa hipótese é o fato de algo tão extraordinário como uma supernova não estar documentado em nenhum registro antigo – o que sugere que a Estrela de Belém seja explicada por um fenômeno mais comum: um cometa, talvez.

Algo que corrobora com essa hipótese é que os cometas costumam se tornar brilhantes ao se aproximarem do Sol. Por isso, geralmente, são avistados ao leste no final da madrugada, ou ao oeste, no início da noite. “Um cometa pode ter surgido no leste e guiado os magos vindos do oriente por algumas noites até desaparecer em conjunção com o Sol”, diz Zurita.

Cometa Nishimura fotografado em fevereiro de 2023 em June Lake, Califórnia, EUA. A Estrela-Guia teria sido um cometa como esse? Crédito: Dan Bartlett/APOD/NASA

Para o astrônomo, a Estrela de Belém teria sido um cometa de longo período ou um cometa que já tenha se extinguido. “E existe um candidato com essas características que foi registrado pelos chineses por volta do ano cinco antes de Cristo, algo realmente próximo do nascimento de Jesus, principalmente considerando as diferenças de calendário entre chineses hebreus e romanos”.

Na verdade, talvez nunca vamos chegar a uma explicação astronômica definitiva para a Estrela-Guia. Mas, conforme diz Zurita, isso não importa. “Tão bela quanto a ciência por trás desta história é a mensagem de amor e de esperança que ela nos traz. Que a luz das estrelas e dos cometas, continue guiando a humanidade em sua busca pelo conhecimento e por um mundo de paz”. 

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