A espaçonave Peregrine, da Astrobotic, estava a caminho da Lua. Mas ocorreu uma falha de propulsão que a deixou incapaz de completar sua missão. No caminho de volta à Terra, a nave se desintegrou na atmosfera, na tarde de quinta-feira (18).

Para quem tem pressa:

  • Uma falha de propulsão tornou a espaçonave Peregrine, da Astrobotic, incapaz de completar o objetivo: pousar na superfície da Lua. No retorno à Terra, a se desintegrou na atmosfera, na tarde de quinta-feira (18);
  • A Astrobotic Technology, sediada em Pittsburgh (EUA), anunciou no Twitter a perda de comunicação com o Peregrine. O incidente marca um revés na missão lunar comercial financiada pela NASA;
  • A Peregrine percorreu mais de 800 mil quilômetros em sua jornada, mas nunca chegou perto do seu destino na Lua. A espaçonave carregava experimentos importantes da NASA como parte do programa CLPS, que busca reduzir custos de transporte para a Lua por meio de empresas;
  • Lançada com sucesso em um novo foguete chamado Vulcan, a Peregrine enfrentou uma falha grave em seu sistema de propulsão logo após se separar do segundo estágio do foguete. A equipe conseguiu temporariamente reorientar a nave para recarregar suas baterias, mas um vazamento de propelente impediu a realização do pouso na Lua;
  • Apesar dos esforços para manter a Peregrine operacional e ativar todas as cargas úteis a bordo, incluindo experimentos para as agências espaciais alemã e mexicana, a trajetória foi alterada para uma queima controlada na atmosfera da Terra. A decisão visou evitar potenciais colisões com satélites em órbita ao redor da Terra.

A Astrobotic Technology de Pittsburgh anunciou, no X (antigo Twitter), que tinha perdido a comunicação com seu módulo de pouso lunar Peregrine às 13h50 (horário de Brasília). Isso indica que a espaçonave entrou na atmosfera da Terra sobre o Pacífico Sul por volta das 14h04.

Leia mais:

A próxima missão comercial financiada pela NASA, pela Intuitive Machines de Houston, pode ser lançada já em meados de fevereiro.

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Da Terra para a órbita da Lua – e de volta

Nave Peregrine a bordo do foguete Vulcan (Imagem: Astrorobotic)

A viagem durou dez dias e cobriu pouco mais de 800 mil quilômetros – distância para a nave viajar além da órbita da Lua antes de voltar para a Terra. No entanto, a Peregrine nunca se aproximou de seu destino: o lado mais próximo da Lua.

As principais cargas na espaçonave eram da NASA, parte do esforço para colocar experimentos na Lua a um custo menor, por meio de empresas comerciais. O lançamento da Astrobotic foi o primeiro no programa, conhecido como Serviços de Carga Lunar Comercial, ou CLPS. A NASA pagou à Astrobotic US$ 108 milhões (aproximadamente R$ 533 milhões) para transportar cinco experimentos.

O Peregrine foi lançado sem problemas de Cabo Canaveral, na Flórida (EUA), em 8 de janeiro, no voo de estreia de um foguete totalmente novo conhecido como Vulcan. Mas logo após se separar do segundo estágio do foguete, uma grande falha ocorreu no seu sistema de propulsão, e a espaçonave não conseguiu manter seus painéis solares apontados para o sol.

Os engenheiros da Astrobotic conseguiram reorientar o Peregrine para recarregar sua bateria. Mas o vazamento de propelente tornou impossível o planejado pouso na Lua. A hipótese atual da empresa é que uma válvula falhou em fechar, o que causou um fluxo de alta pressão de hélio que rompeu um tanque de propelente.

Inicialmente, a Astrobotic estimou que o Peregrine ficaria sem propelente em alguns dias. Mas, à medida que o vazamento diminuiu, a espaçonave continuou a operar. Todas as dez cargas úteis, incluindo quatro da NASA, foram ligadas com sucesso (a quinta, um refletor a laser, não precisava de energia). Outras cargas, incluindo um rover construído por estudantes da Universidade Carnegie Mellon e experimentos para as agências espaciais alemã e mexicana, também foram ligados.

No fim de semana, a empresa disse que a espaçonave, desviada de seu curso pelo vazamento de propelente, estava num caminho para queimar na atmosfera da Terra. A empresa disse que decidiu deixar o Peregrine nessa trajetória para evitar a possibilidade de a espaçonave danificada colidir com satélites ao redor da Terra.