Coração da Via Láctea tem estrelas ‘velhas fumantes’; entenda

Após ficarem inativas por longos períodos, essas estrelas exalam uma espécie de fumaça; veja o que mais os cientistas descobriram
Pedro Spadoni
Pedro Spadoni 28/01/2024 10:39, atualizada em 31/01/2024 21:26

Cientistas descobriram mais um tipo de estrela, apelidada de “velha fumante” – é que elas permanecem inativas por longos períodos, depois exalam uma espécie de fumaça. Este fenômeno foi observado no coração da Via Láctea, conforme publicado na Royal Astronomical Society.

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Para quem tem pressa:

  • Cientistas descobriram mais um tipo de estrela, apelidada de “velha fumante”, no coração da Via Láctea. Elas permanecem inativas por longos períodos e, depois, exalam uma espécie de fumaça;
  • Até o momento, a equipe de pesquisa identificou 21 estrelas deste tipo e suspeita que existam muitas mais. Essas estrelas, classificadas como gigantes vermelhas, estão em fase final de “vida”;
  • Durante a pesquisa, que inicialmente focava na identificação de protoestrelas, os cientistas descobriram 32 protoestrelas e, paralelamente, encontraram as “velhas fumantes”;
  • Essas estrelas ficam perto do centro da Via Láctea, numa região densa e rica em metais chamada Nuclear Stellar Disc. Acredita-se que nuvens de fumaça temporariamente ocultem essas estrelas, embora os componentes exatos dessa poeira ainda sejam desconhecidos.

A equipe de pesquisa analisou centenas de milhões de estrelas ao longo de dez anos. Para isso, os pesquisadores usaram o telescópio Vista, no Chile. Inicialmente, estavam em busca de protoestrelas, conhecidas por suas erupções frequentes.

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Até agora, a equipe encontrou 21 “velhas fumantes”. Mas os pesquisadores suspeitam que existam muitas mais. A descoberta dessas estrelas peculiares oferece novas perspectivas sobre os processos estelares no coração da nossa galáxia.

Estrelas ‘velhas fumantes’

Imagem de uma das estrelas velhas fumantes
(Imagem: Philip Lucas/University of Hertfordshire)

As “velhas fumantes” são gigantes vermelhas, estrelas que no final de suas vidas se tornam grandes e com baixa temperatura superficial. Devido à sua cor avermelhada pálida, algumas vezes são difíceis de serem vistas, explica Dante Minniti da Universidade Andrés Bello.

Durante a investigação, os cientistas detectaram 32 protoestrelas – o maior número encontrado em um único grupo, segundo o astrofísico Philip Lucas, da Universidade de Hertfordshire, e principal autor do estudo. Paralelamente, encontraram a surpresa das “velhas fumantes”.

Essas estrelas ficam perto do centro da Via Láctea, numa região densa e rica em metais chamada Nuclear Stellar Disc. Elas permanecem inativas e de repente se tornam até 100 vezes mais fracas, chegando a ser quase indetectáveis, para depois voltarem ao brilho original.

Os cientistas acreditam que nuvens de fumaça temporariamente ocultam essas estrelas, mas os componentes exatos desse pó ainda são um mistério. A presença de elementos pesados na região pode influenciar na criação dessa poeira na atmosfera estelar.

Philip Lucas destaca que, se a teoria estiver correta, a matéria ejetada por estas estrelas pode ter um papel significativo na dispersão de elementos pesados pela Via Láctea e além. Atualmente, os pesquisadores investigam para entender melhor o fenômeno.

Pedro Spadoni
Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

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