Temidas por biólogos e ambientalistas, as espécies invasoras, muitas vezes resultados da expansão humana, representam um risco real para a biodiversidade e podem levar à extinção de diversas espécies. Vamos entender o motivo?

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O que é uma espécie invasora?

Uma espécie invasora é um organismo, seja animal, vegetal, ou microbiano, que é introduzido em um ecossistema fora de sua área de distribuição natural e que, uma vez estabelecido, ameaça a biodiversidade local, os ecossistemas e, por vezes, a saúde humana. Essas espécies têm a capacidade de se proliferar rapidamente em novos ambientes, muitas vezes superando as espécies nativas e causando desequilíbrios nos ecossistemas.

Os principais critérios que definem uma espécie como invasora incluem sua capacidade de estabelecimento e reprodução em um novo ambiente, geralmente devido à ausência de predadores naturais ou competidores eficazes. Além disso, as espécies invasoras frequentemente têm características que as tornam mais adaptáveis e resilientes, como reprodução rápida, alta taxa de crescimento e resistência a doenças.

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Macaco-aranha, animal considerado exótico pelas civilizações antigas do México, que era ofertado como presente. Imagem: Photo Spirit – Shutterstock

Quais os riscos que espécies invasoras apresentam ao ecossistema?

As Espécies Exóticas Invasoras representam uma séria ameaça à biodiversidade e aos ecossistemas em todo o mundo. Esses organismos, que são introduzidos fora de seus habitats naturais, encontram frequentemente condições favoráveis para se proliferar, gerando desequilíbrios nos ecossistemas locais e ameaçando as espécies nativas.

A ausência de predadores naturais, aliada à falta de defesas eficientes nas presas nativas contra essas espécies invasoras, cria um ambiente propício para seu estabelecimento e expansão, tornando-as a segunda maior causa de extinção de espécies no planeta.

A disseminação dessas espécies é facilitada por perturbações em áreas naturais, como desmatamento e mudanças climáticas, que criam nichos ecológicos propícios para sua colonização. Além disso, os meios de transporte modernos, comércio global, viagens e turismo proporcionam os meios para que esses organismos ultrapassem barreiras geográficas que, de outra forma, impediriam sua dispersão natural.

A introdução de espécies fora de suas áreas de distribuição natural frequentemente ocorre de maneira não intencional, através do comércio e turismo. No entanto, em muitos casos, essa introdução é planejada, impulsionada por objetivos econômicos e sociais. As espécies são transportadas para uso em sistemas produtivos, cativeiros, com propósitos ornamentais e recreativos, aumentando o risco de estabelecimento em novos ambientes.

Javali / Imagem: Reprodução

No contexto brasileiro, diversas espécies exóticas invasoras têm se destacado pelos impactos significativos que causam. O javali (Sus scrofa), o coral-sol (Tubastraea spp.), o mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) e o caracol-gigante-africano (Achatina fulica) são exemplos emblemáticos. Essas espécies representam desafios tanto para a biodiversidade local quanto para a economia e saúde humana.

A luta contra as espécies invasoras também é a luta contra o tráfico internacional de animais. Várias das espécies invasoras que entram em território nacional são trazidas ilegalmente por atravessadores para a criação ilegal. Casos famosos como a naja de Brasília são um exemplo dessa prática.

Sendo assim, antes de pensar em comprar um bichinho exótico analise se esse animal vai gerar algum impacto na saúde ambiental da sua região.