Um caso chocou moradores e turistas que passaram a virada do ano em Balneário Camburiú (SC). Quatro jovens morreram de forma misteriosa dentro de uma BMW em frente à rodoviária da cidade.

As investigações mostraram que eles foram vítimas de uma intoxicação por monóxido de carbono. O gás, que em alta dosagem pode ser letal ao ser humano, teria vazado de uma peça modificada no veículo, chamada de downpipe.

O dono e um funcionário da oficina em Goiás que teria feito as alterações foram indiciados na última quarta-feira (31) por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

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O advogado que representa a oficina nega a autoria do crime e afirma que a troca do escapamento foi feita por uma empresa terceirizada.

O advogado David Soares não informou, porém, o nome da terceirizada nem quando ou onde a peça foi fabricada ou adquirida.

O inquérito está agora com o Ministério Público e o Poder Judiciário.

O que é o downpipe

  • Essa é uma alteração relativamente comum entre os amantes do tuning, a prática de modificar carros.
  • O downpipe é uma peça (o primeiro cano) que liga o turbocompressor ao sistema de escape principal (o escapamento).
  • Ele aumenta o diâmetro da tubulação padrão dos veículos, melhorando o fluxo de gases que passam pelo sistema.
  • Isso também leva o carro a fazer mais barulho e a um pequeno ganho de potência do motor.
  • Nesse caso de Balneário, a Polícia Civil de Santa Catarina afirmou que a presença do monóxido de carbono dentro do veículo ocorreu por um vazamento nessa peça.
  • O carro onde estavam os 4 jovens era novo: uma BMW/320I M Sport ano 2022.
  • Ela, porém, era bastante modificada.
  • O downpipe especificamente foi instalado em uma oficina na cidade de Aparecida de Goiânia cerca de 6 meses antes da tragédia.
  • A peça, segundo a investigação, foi colocada no lugar do catalisador e foi “produzida e montada de forma precária e divergente dos padrões de qualidade do fabricante”.
  • Segundo especialistas, a instalação de downpipes pode comprometer a durabilidade do motor e de outros componentes do veículo.
  • Isso porque o aumento na pressão dos gases de escape pode sobrecarregar o turbo, levando a um desgaste prematuro de todo o sistema.

A história dos 4 jovens

As quatro vítimas são:

  • Gustavo Pereira Silveira Elis , 24 anos.
  • Karla Aparecida dos Santos, 19 anos.
  • Nicolas Kovaleski, 16 anos.
  • Tiago de Lima Ribeiro, 21 anos.

Os amigos eram de Paracatu e Patos, em Minas Gerais, mas estavam morando há pouco mais de um mês no estado catarinense.

No dia do Réveillon, os 4 foram buscar na rodoviária a namorada de um deles. Segundo relatos, os jovens ficaram de 3 a 4 horas dentro do veículo.

A namorada disse à polícia que conversou com todos eles, que relataram estar com tontura, náuseas e mal estar. Por esse motivo, pediram para continuar parados, dentro do veículo, com o ar-condicionado ligado.

As investigações apontam que monóxido de carbono entrou justamente pelo sistema do ar-condicionado.

Com a ruptura do downpipe, o monóxido de carbono, que devia ser expulso pelo escapamento, acabou ficando concentrado na região do capô.

Ao ligar o ar-condicionado, o gás acabou entrando no veículo, que permaneceu o tempo todo com as janelas fechadas.

Medições detectaram concentrações de 1.000 ppm (partes por milhão) de monóxido de carbono dentro do carro, quando o normal é de 20 a 30 ppm.

Uma concentração de 1.000 ppm é suficiente para provocar inconsciência e levar à morte em até duas horas.

As informações são do G1.