Por Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da NVIDIA para América Latina

Vivemos em uma era de avanços tecnológicos transformadores, e a mobilidade não está imune a essa revolução. O surgimento dos carros autônomos representa um divisor de águas nesse setor, prometendo não apenas redefinir a maneira como nos locomovemos, mas também desencadear uma série de mudanças estruturais profundas no universo automotivo.

Ao examinar o mercado, fiquei interessado na pesquisa conduzida pela OLX, uma plataforma online de compra e venda de veículos, em parceria com a Mindminers. Esta pesquisa avaliou a opinião dos consumidores sobre a Inteligência Artificial nos automóveis. Os resultados revelaram que 36% dos entrevistados estariam dispostos a adquirir um carro autônomo. Além disso, o estudo indicou que 80% acreditam que a IA contribui para a segurança dos veículos. Surpreendentemente, 70% dos participantes têm a convicção de que a IA assumirá o controle do setor automotivo em um prazo de até 10 anos.

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A crescente integração dos carros autônomos em nosso horizonte é mais do que uma simples inovação – é uma transformação que está reconfigurando a maneira como percebemos a mobilidade. A automação está se tornando um conceito tangível, desafiando não apenas a forma como dirigimos, mas também os próprios alicerces da indústria automobilística. Essa evolução tecnológica não apenas promete uma experiência de condução mais segura e eficiente, mas também redefine o conceito de mobilidade pessoal e coletiva.

Durante a recente CES, um dos maiores eventos de tecnologia do mundo, a NVIDIA apresentou as capacidades de simulação do NVIDIA Omniverse no setor automotivo. A plataforma de software permite o desenvolvimento e a implementação de aplicações 3D avançadas e possibilita visualizar instantaneamente mudanças na cor de um carro ou personalizar seu interior com acabamentos luxuosos. Grandes fabricantes de automóveis, como a Lotus, estão adotando essas soluções inovadoras.

Porém, mesmo com tanta inovação, conforme testemunhamos essa mudança revolucionária, precisamos reconhecer a necessidade de uma reestruturação abrangente do setor automotivo. A adaptação às exigências e oportunidades dos carros autônomos não se trata apenas de incorporar novas tecnologias, ou seja, é necessário reformular toda a mentalidade por trás do design, fabricação e até mesmo do uso dos veículos.

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(Imagem: Below the Sky/Shutterstock)

Em meio a esse panorama de mudanças, penso que devemos reconhecer os benefícios substanciais que a tecnologia dos carros autônomos pode proporcionar. Desde a redução significativa de acidentes de trânsito até a otimização do tempo de deslocamento, os carros autônomos têm o potencial de não apenas melhorar a segurança nas estradas, mas também transformar a maneira como aproveitamos nosso tempo enquanto nos movemos de um ponto a outro.

Para tudo isso, um fato é certo: a indústria automotiva deve estar pronta para abraçar essa transformação. A capacidade de adaptar-se às mudanças tecnológicas será crucial para determinar não apenas a sobrevivência, mas o sucesso e a relevância no cenário emergente dos carros autônomos.

Para finalizar, a verdadeira revolução não está apenas nos veículos, mas na forma como repensamos e nos relacionamos com a mobilidade como um todo. Sem acolhermos as inovações, estas não transformarão a maneira como vivemos ou conduzimos (literalmente) nossas vidas hoje.