Em um movimento para promover a sustentabilidade urbana, Paris realizou um referendo neste domingo (4) para determinar se as tarifas de estacionamento para carros grandes devem aumentar. O alvo é especificamente SUVs grandes e pesados de visitantes, o que inclui não apenas os modelos a combustão, mas também os elétricos.

A proposta sugere triplicar as taxas para carros a combustão de 1,6 toneladas ou mais e para carros elétricos híbridos plug-in de 2 toneladas ou mais. Assim, seriam cobrados 18 euros por hora (cerca de R$ 96), podendo a chegar 432 euros por dia (cerca de R$ 2.315). Ou seja, o preço de um celular.

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O debate em torno da decisão contrasta visões ambientais com a conveniência pessoal. Enquanto alguns cidadãos veem o aumento como um passo necessário para combater a crise climática, outros argumentam que tais medidas penalizam injustamente as famílias e limitam a liberdade pessoal.

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A prefeita de Paris, a socialista Anne Hidalgo, e o vice-prefeito, Emmanuel Gregoire, destacaram-se como os principais defensores desta medida, argumentando contra o impacto ambiental negativo dos SUVs.

Enquanto isso, grupo de lobby pró-motoristas apoia o direito de os motoristas usarem o veículo que quiserem.

Devemos opor-nos firmemente a estes ataques à liberdade perpetrados sob falsos pretextos ambientalistas. (…) Se não pararmos com isso agora, esta rebelião injustificada liderada por uma minoria ultraurbana e antiautomóvel se espalhará como gangrena para outras cidades.

Grupo de lobby pró-motoristas

A ideia visa desestimular o uso de veículos considerados volumosos e poluentes, contribuindo para transformar a capital francesa em uma cidade mais verde. Afinal, Paris quer ser uma capital neutra em emissões de carbono até 2050.

Vale lembrar que, em abril do ano passado, os cidadãos votaram pela proibição do uso de e-scooters também pelo instrumento participativo.

Atualmente, estima-se que os SUVs representem 10% de todos os carros que circulam dentro da cidade. Além disso, Paris tem maior circulação de automóveis do que outras capitais europeias, como Berlim ou Amsterdã. Por fim, calcula-se que os carros constituam 13,4% das emissões de carbono na cidade.

Diante desse contexto, alguns parisienses defendem a locomoção por meio de bicicletas. Desde 2020, as ruas de Paris receberam 84 km de ciclovias e observou-se um aumento de 71% no uso de bicicletas entre o fim dos lockdowns pela Covid-19 e o ano de 2023, de acordo com a Câmara Municipal.

Com informações do G1, Uol e RFI.