Um terremoto, causado pela queda de um meteorito há milhões de anos, formou algumas estruturas geológicas da região onde hoje fica São Paulo (SP). O impacto causou tremor maior que 5,5 na escala de Richter – quase a energia liberada pela bomba atômica lançada pelos EUA sobre Hiroshima em 1945. É o que uma dupla de professores – um da USP e outro da UFABC – descobriu.

Para quem tem pressa:

  • Pesquisadores da USP e da UFABC descobriram que um terremoto, causado pela queda de um meteorito há milhões de anos, formou estruturas geológicas na região de São Paulo; 
  • O impacto, com magnitude superior a 5,5 na escala de Richter, é comparável à energia liberada pela bomba atômica lançada pelos Estados Unidos sobre Hiroshima em 1945;
  • A queda do meteorito, estimada entre 2,5 e cinco milhões de anos atrás, criou uma cratera de 3,6 quilômetros de diâmetro no sul de São Paulo, onde hoje ficam os bairros Colônia e Vargem Grande. A Cratera de Colônia foi identificada a partir de fotos aéreas e imagens de satélite; 
  • A pesquisa, conduzida durante a pandemia de Covid-19, mapeou rochas e sedimentos na área da Cidade Universitária da USP, parte de uma bacia sedimentar que se estende pela região metropolitana;
  • Os pesquisadores pretendem datar esses sedimentos para estabelecer uma correlação direta com o evento do impacto, sugerindo que a Bacia de São Paulo pode ser mais jovem do que se pensava.

A queda do meteorito, ocorrida entre 2,5 e cinco milhões de anos atrás, abriu uma cratera de 3,6 quilômetros de diâmetro no extremo sul da cidade. “Se acontecesse hoje, não sei se sobraria algum edifício em pé”, disse o professor Renato Henrique-Pinto, do Instituto de Geociências (IGc) da USP em entrevista ao jornal da universidade.

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Há uma cratera (escondida) em SP 

Ilustração de asteroide perto da Terra
(Imagem: buradaki/Shutterstock)

O fenômeno resultou na formação da Cratera de Colônia, descoberta apenas na década de 1960 por meio de fotos aéreas e, posteriormente, imagens de satélite. Este estudo pioneiro em São Paulo, publicado na Science Direct, documenta vestígios de abalos sísmicos de grandes magnitudes.

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Durante a pandemia de Covid-19, os professores Renato Henrique-Pinto, da USP, e Mauricio Martinho dos Santos, da Universidade Federal do ABC (UFABC), começaram a mapear as rochas e sedimentos na Cidade Universitária da USP, parte de uma bacia sedimentar que abrange toda a Região Metropolitana, sem a necessidade de financiamento significativo.

A motivação para o estudo veio da curiosidade sobre o subsolo de São Paulo. Os geólogos investigaram outras rochas expostas em parques e praças da cidade e calcularam tanto a direção quanto o tamanho das ranhuras para estimar o nível do abalo. Eles concluíram que o epicentro era a cratera, gerada por um evento de grande magnitude. E a análise revelou uma “bagunça” nas camadas de sedimentos.

Desafios e próximos passos

Atualmente, sedimentos cobrem a cratera. Essa cobertura forma a planície onde ficam os bairros de Colônia e Vargem Grande. O estudo destaca a dificuldade de investigação em São Paulo devido à cobertura de asfalto e concreto, onde afloramentos rochosos expostos são raros. Este desafio limita a análise dos traços do tremor no subsolo, que não foram amplamente estudados até então.

Os pesquisadores planejam datar os sedimentos depositados para estabelecer uma correlação direta com a cratera, apesar das dificuldades apresentadas pelos métodos tradicionais de datação. Este trabalho sugere que a Bacia de São Paulo pode ser mais jovem do que se pensava, com estruturas formadas entre o final do Plioceno e o início do Pleistoceno – cerca de 2,5 milhões de anos atrás.