Dados da sonda Cassini-Huygens indicam a existência de um oceano líquido no interior de Mimas, uma pequena lua de Saturno. Essa missão da Nasa foi encerrada em 2017, mas os cientistas seguem se debruçando sobre as informações coletadas – fazendo novas e importantes descobertas.

A mais recente acaba de ser publicada na revista Nature: de acordo com pesquisadores, Mimas abriga sob a sua superfície gelada um improvável mar propício ao surgimento da vida.

E por que improvável? O astrônomo Valéry Lainey, principal autor do estudo, explica:

“Se há algum lugar no universo onde não esperávamos encontrar condições favoráveis para a vida, este lugar é Mimas. O satélite absolutamente não tinha a aparência certa.”

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O apelido de Mimas é “lua da morte”. Primeiro porque ela parece extremamente fria. O conjunto de crateras na superfície indica uma casca de gelo praticamente intransponível – e, portanto, inabitável.

Em segundo lugar, uma das crateras de Mimas é tão grande que o satélite tem a aparência da “Estrela da Morte”, a poderosa nave do império na trilogia original de Star Wars.

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A Estrela da Morte com o planeta Alderaan ao fundo. Imagem: Lucasfilm

Esse estudo aponta que estávamos enganados – e que era justamente o contrário. A “lua da morte” pode, na verdade, abrigar vida.

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Como os cientistas descobriram esse oceano?

Inicialmente, a maioria dos pesquisadores acreditava na existência de um núcleo rochoso sob Mimas.

A equipe de Valéry Lainey, porém, tinha um palpite e resolveu estudar a rotação da lua em torno de si. E eles encontraram pequenas oscilações, chamadas librações. E foram pequenas mesmo, da ordem de centenas de metros – o que é pouco pensando em uma astro.

A presença dessa libração geralmente indica que o corpo em questão é geologicamente ativo e que pode comportar um oceano subterrâneo.

De acordo com o estudo, esse oceano se move sob uma camada de gelo de 20 a 30 quilômetros de espessura e surgiu sob a influência da gravidade de outras luas de Saturno. Os cientistas falam em uma espécie de “efeito de maré”, que agita o satélite e gera calor, impedindo que a água congele.

Os cálculos sugerem uma formação recente desse mar (em termos espaciais): algo entre 5 e 15 milhões de anos. Isso torna Mimas um lugar excelente para se estudar o surgimento da vida.

Mas dá para afirmar hoje que essa lua tem alguma forma de vida? Quem responde é o astrônomo Valéry Lainey:

“A questão será abordada nas missões espaciais nas décadas que estão por vir. Agora, uma coisa é certa: se a busca é por condições mais recentes de habitabilidade no Sistema Solar, é para Mimas que você deve olhar.”

Mais sobre Mimas

  • O satélite do planeta dos anéis foi descoberto em 1789 pelo astrônomo William Herschel.
  • Mimas tem apenas 400km de diâmetro, ou seja, ela é bem pequena.
  • Para vocês terem uma ideia, a nossa Lua aqui da Terra tem aproximadamente 3.475 quilômetros de diâmetro – quase 10 vezes o tamanho de Mimas.
  • Embora seja mais conhecido pelos anéis, Saturno é também o planeta do nosso sistema solar com mais luas.
  • São mais de 100 satélites de diferentes tamanhos e composições.
  • Mimas é o que chamamos de “lua oceânica”.
  • Ela se junta ao grupo de Encélado e Titã (satélites também de Saturno) e a Europa e Ganimedes (de Júpiter).
  • Dados da missão Cassini mostraram recentemente que Encélado tem condições propícias para o surgimento de vida.
  • É a mesma coisa agora com Mimas.
  • Segundo o professor Nicolas Rambaux, outro autor desse estudo publicado na Nature, a lua “reúne todas as condições para a habitabilidade”: água líquida, mantida por uma fonte de calor, em contato com rocha, o que favorece o desenvolvimento de trocas químicas”.

As informações são do IFL Science.