Um banco de sementes é um local onde são mantidas condições adequadas para conservar amostras de sementes de diferentes espécies de plantas. A estratégia tem sido cada vez mais importante para o nosso planeta e nossa sobrevivência.

A preocupação com a biodiversidade e com o futuro se tornou o nosso presente, e chegou à nossa porta antes do esperado. Saber que duas em cada cinco plantas estão ameaçadas ou correndo risco de extinção já seria suficiente para perceber isso.

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Por consequência, muitos alimentos também podem desaparecer de nossas mesas. O banco de sementes tem se tornado cada vez mais importante para evitar essa realidade.  Ele tem a capacidade de regenerar uma área degradada ou, ainda, contaminar uma plantação agrícola com espécies invasoras. 

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Um banco de sementes pode também ser utilizado como indicador do potencial de regeneração de áreas a serem restauradas. Ele é mais eficiente quando é coletado mais de uma vez no ano, pelo menos duas vezes, na estação chuvosa e na estação seca. 

Os bancos comunitários de sementes são tecnologias sociais de armazenamento, distribuição, doação e “empréstimo” de sementes nas comunidades.

Imagem de semente
Imagem Shutterstock

Estima-se que existam mais de 1500 bancos de germoplasma em todo o mundo. O germoplasma é o conjunto de amostras de materiais genéticos que guardam as características genéticas de uma espécie. Pode ser parte do tecido vegetal, órgãos das plantas ou até mesmo a própria planta. 

O germoplasma é a fonte de variabilidade genética disponível para o melhoramento de plantas. É uma fonte rica de diversidade genética, fundamental para o desenvolvimento de plantas transgênicas com características agronômicas aprimoradas, por exemplo. 

Os bancos de germoplasma são locais onde são mantidas as coleções de amostras de indivíduos visando conservar a variabilidade genética existente em uma ou mais espécies. Os recursos são chamados genericamente de “germoplasma” e podem ser sementes ou partes de plantas, embriões, sêmen, tecidos ou microrganismos.

Praticamente todos os países têm os seus bancos nacionais, focados em espécies de importância para o próprio país. Mas, sem dúvida, o mais importante é o Svalbard Global Seed Vault, localizado na remota ilha norueguesa de Spitsbergen, considerado o maior centro de germoplasma do mundo. 

Imagem do Banco Mundial de Sementes, o Svalbard Global Seed Vault
Imagem Unsplash

Os bancos de sementes em todo o mundo têm mais de 6 milhões de acessos conservados. A estimativa é que 10% desses acessos estejam guardados nos centros do CGIAR (Conselho de Pesquisa Agrícola Internacional).

O Brasil também tem bancos de germoplasma, como o banco de germoplasma de algas marinhas, localizado no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo-USP.

O Banco Genético da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, conserva uma cópia de segurança dos Bancos Ativos de Germoplasma das espécies que têm sementes ortodoxas. Atualmente, o Banco Genético conserva as sementes de 115 mil acessos, de 1079 espécies.

Iniciativa semeada há muito tempo

O primeiro banco de sementes do mundo sobreviveu à Segunda Guerra Mundial porque 12 cientistas preferiram morrer de fome a comer os grãos que estavam sendo preservados para as gerações futuras. 

De lá para cá, a necessidade só cresce diante do quadro de mudanças climáticas, desastres naturais, crescimento da população mundial e menos variedades de espécies mais resistentes. 

O objetivo é assegurar a preservação do maior número possível de plantas para a posteridade. As amostras de sementes são preservadas em condições de umidade estável, baixa temperatura constante e quase nada de luz ou escuridão.

Banco Mundial de Sementes, a nova Arca de Noé

Pouca gente sabe onde fica a ilha de Svalbard, localizada entre a Noruega e o Polo Norte. É lá que fica o Svalbard Global Seed Vault (Banco Mundial de Sementes), um enorme depósito de sementes de todo o mundo. É também conhecido como a “Arca de Noé” e o “Cofre do Apocalipse”. 

O banco de sementes foi construído em 2008, próximo da localidade de Longyearbyen, no arquipélago Ártico de Svalbard, a cerca de 1300 km ao sul do Polo Norte. É o maior banco de sementes do mundo. 

O Svalbard Global Seed Vault é uma reserva de sementes para uso em caso de um evento apocalíptico ou uma catástrofe global. O objetivo é oferecer proteção de longo prazo para um dos recursos naturais mais importantes do planeta.

É uma grande estrutura de concreto construída a 100 metros para dentro de uma montanha coberta de gelo, com o objetivo de salvaguardar a biodiversidade das espécies vegetais e, assim, evitar sua extinção.  Mais de 1 milhão de espécies de sementes do mundo todo estão guardadas neste cofre, construído para resistir a desastres climáticos e até a explosões nucleares.

O Brasil já enviou sementes de importantes culturas para o Svalbard Global Seed Vault. Nos últimos anos, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mandou mais de 4 mil sementes de diversas variedades, entre elas arroz, feijão, milho, cebola, pimentas e cucurbitáceas, que são melancia, pepino, abóboras, entre tantas outras.

Sementes em uso

Diversos estudos exemplificam o papel dos bancos de sementes na revegetação de áreas degradadas, chamadas pelos cientistas de áreas que sofrem perturbações.

Essa perturbação refere-se a áreas de pastagens, agricultura, terras que sofrem com chuvas e incêndios, beira de rios e lagos que oscilam o nível de água devido à sazonalidade, pântanos, regiões árticas e alpinas e florestas.

Essas áreas apresentam bancos de sementes adaptados aos tipos de perturbações sofridas. Ecossistemas de cerrado, que sofrem incêndios frequentes, apresentam sementes enterradas no solo com grande capacidade de germinação após o término do fogo. Beira de rios e lagos apresentam sementes de depleção, com capacidade de germinação e crescimento rápido, capazes de impedir a erosão destas áreas e o consequente assoreamento desses ecossistemas. 

A atividade humana também interfere nesses ecossistemas e o banco de sementes entra como um restaurador e administrador da vegetação.

Rescaldo de um dos incêndios florestais que atingiram terras indígenas no Brasil
(Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)

Vantagens e desvantagens dos bancos de sementes

Não são uma opção viável para todas as plantas do mundo. Segundo estudo publicado na revista Nature Plants, 36% das espécies vegetais ameaçadas de extinção não podem ser armazenadas em bancos de sementes. As chamadas plantas recalcitrantes (como as castanhas) não suportam um certo grau de dessecação e não podem ser facilmente conservadas.

Além disso, há inconvenientes como o elevado preço da sacaria e a necessidade de amplo espaço físico durante um período relativamente longo também são desvantagens. 

Porém, há muitas vantagens para o futuro. Permitem conservar e aumentar a diversidade das espécies. Ajudam a repor as sementes necessárias se elas forem perdidas devido a desastres naturais ou causados pelo homem, como a poluição.

Oferecerão variedade genética suficiente para poder desenvolver outras variedades, por exemplo, para criar culturas resistentes a pragas, tolerantes à seca ou para alimentar uma população mundial em crescimento.

Também protegem espécies mais raras e valiosas porque os bancos de sementes permitem que o material genético seja preservado e posteriormente reintroduzido em grande escala no meio ambiente.

E diante desse cenário, podem ser uma garantia para o futuro da agricultura e da nossa alimentação.