Embora a navegação na internet de cada usuário seja diferente, todas elas podem ter uma coisa em comum: deparar-se com um site que solicita sua permissão para “cookies”. Este aviso costuma tomar conta de parte da tela e comprometer a experiência dos usuários, por isso, muitas pessoas aceitam esses cookies, mesmo sem entender o que são e como funcionam. Mas será que esta configuração é mesmo tão inofensiva? Reunimos alguns dados e vamos informá-los sobre quando a prática de aceite dos cookies pode ser um risco.

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O que são cookies e como funcionam?

(Imagem: Alyssa Stone/Universidade Northeastern)

Os cookies podem ser descritos como pequenos arquivos de texto, os quais são depositados nos aparelhos eletrônicos –– computador, celular, tablet –– assim que você clica naquele ‘aceite’ que aparece na página da web que você adentrou. Os sites são obrigados, por lei, a solicitar uma permissão –– ao invés de usar os cookies automaticamente –– devido à Lei Geral de Proteção de Dados.

Como o processo de download dos cookies (ou arquivos de texto, como já explicamos) ocorre em segundo plano, isso acaba passando despercebido pelas notificações do seu aparelho. Em outras palavras, apesar de você concordar em baixá-los, não verá o processo de download em primeira mão –– como quando você baixa uma imagem no Google e as notificações do celular revelam o andamento da ação.

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E para que servem esses cookies? De forma geral, estes arquivos de texto detém o papel de aprimorar a experiência do usuário enquanto ele estiver navegando no site. Por exemplo: uma vez que são baixados, os cookies permitem que a sua máquina se lembre de sessões anteriores que você teve no site, como carrinhos de compra que você possa ter abandonado no passado; desta forma, os produtos continuam lá, caso deseje retornar e finalizar a compra.

Para além disso, também auxiliam a mostrar ao administrador do site as páginas mais visitadas, produtos mais buscados, os artigos mais lidos ou itens mais buscados e comprados. Estas informações são importantes porque podem melhorar o engajamento do site e auxiliar o setor de marketing a desenvolver estratégias de venda e de alcance de público-alvo. Por isso, quando os cookies são utilizados de forma legítima, eles apenas garantem uma melhora na experiência dos usuários, sejam visitantes de um site ou o seu administrador.

Mas quando os cookies são considerados um problema?

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Imagem: Who is Danny / Shutterstock.com

Apesar de serem um ótimo recurso, como já foi discutido, os cookies também podem ser utilizados para propósitos ruins devido a sua capacidade de coletar informações. Segundo Rodrigo da Cunha, professor do curso de Ciências da Computação na Faculdade Anhanguera, os cookies “podem ser usados para rastrear detalhes pessoais, padrões de navegação e até mesmo criar perfis de usuários”.

De acordo com Rodrigo, há empresas que agem de má fé e utilizam os cookies para seguir virtualmente cada passo do usuário na web. Isso ocorre porque buscam criar perfis detalhados desta pessoa, o que viola a privacidade alheia.

Além disso, é possível que os administradores do site utilizem cookies de terceiros. Essa prática é útil para empresas de publicidade, que espionam o usuário a fim de direcionar, com mais eficácia, anúncios específicos. E por que isso é ruim? Porque estes cookies acabam colhendo muito mais informação do que deveriam ao violar a privacidade dos usuários, e coloca o acesso destas pessoas em risco apenas para direcionar publicidades invasivas.

Pessoa usando Google Chrome em Macbook
(Imagem: Unsplash)

Vale lembrar que publicidade honesta é uma coisa, e reunir informações pessoais dos outros sem permissão é outra. É verdade que os usuários podem dar o aceite para os cookies, mas existe um limite ético para a captação de informação que devem exercer.

Aceitar cookies indiscriminadamente pode abrir portas para ameaças à segurança, incluindo ataques de phishing e malware. Cookies maliciosos podem explorar vulnerabilidades nos navegadores e sistemas, comprometendo a integridade dos dados pessoais dos usuários.

Rodrigo da Cunha, professor de graduação do curso de Ciências da Computação na Faculdade Anhanguera

E o que fazer para se proteger disso? Rodrigo aconselha personalizar as configurações de cookies no seu navegador, ou seja, acionar o bloqueio de cookies de terceiros quando possível e até utilizar extensões de privacidade. Também vale se inteirar sobre as políticas de privacidade do site visitado, pois adotar medidas como essas devem aumentar a privacidade do usuário e garantir uma navegação mais segura.

Para finalizar, é sempre muito importante ficar atento ao acessar sites desconhecidos, uma vez que as informações locais no dispositivo utilizado também podem contribuir para ameaçar a privacidade do usuário, como o próprio endereço IP ou a linguagem do navegador.