O mercado está de olho no Sol para medir a demanda por gás natural. Parece um pouco estranho, mas existe toda uma teoria por trás desse movimento e que está ganhando cada vez mais espaço entre os meteorologistas que fazem previsões para empresas.

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Funciona da seguinte forma:

  • O acúmulo de energia magnética pode gerar áreas de aparência escura chamadas manchas solares;
  • Essas manchas eventualmente explodem em tempestades solares;
  • Elas aumentam e diminuem de quantidade em ciclos de cerca de 11 anos, fornecendo pistas para a previsão de padrões climáticos;
  • Quanto menos pontos, por exemplo, mais frio será o inverno em certas áreas, implicando em maior necessidade de gás natural.

Scott McIntosh, diretor do Observatório de Alta Altitude do Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica, de Boulder, Colorado, nos Estados Unidos, explica que o campo magnético do Sol funciona como uma espécie de guarda-chuva da Terra. Ele pode impedir que parte dos raios cósmicos – partículas carregadas de estrelas mortas há tempos – bombardeiem a atmosfera do planeta.

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“É exatamente isso que acontece”, explica Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital. “As implicações disso ainda estão sendo estudadas, mas, na prática, é isso”.

Menos manchas solares, mais raios cósmicos atingindo a Terra

Segundo McIntosh, quando se formam menos manchas solares, o campo enfraquece e mais raios atravessam e atingem a Terra. Então, aumentam as chances de que o ar gelado que sai do Ártico, como normalmente ocorre durante o inverno, fique preso na parte leste da América do Norte ou na Europa e traga episódios de frio rigoroso.

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Zurita explica que estudos nesse sentido ainda não são consenso científico, mas há muitas pesquisas que procuram relacionar os ciclos solares aos ciclos hidrológicos, por exemplo.

Embora essa teoria seja cada vez mais aceita, de fato ela está longe de ser considerada unânime. Além de alguns profissionais ainda não acreditarem no poder preditivo das manchas solares no que diz respeito ao clima da Terra, a questão gera polêmica porque reforça a teoria de alguns negacionistas de que o aquecimento global não é uma ameaça.

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Proeminências Solares em forma de arco na superfície do Sol
Empresas têm analisado o comportamento do Sol para medir a demanda por gás natural (Imagem: Jurik Peter/Shutterstock)

As informações são do UOL.