A fusão nuclear é tida como um fonte de energia limpa, segura e ilimitada. Há tempos tem sido estudada por pesquisadores para que se torne real. Mas, em meio a diversas dificuldades, ainda não a dominamos essa tecnologia. Agora, uma Inteligência Artificial (IA) pode tornar isso real, ou pelo nos aproximou disso.

Para quem tem pressa:

  • Reproduzir a reação de fusão nuclear das estrelas na Terra para a produção de energia é complicado;
  • Um dos problemas é o plasma altamente energético, o que faz com que ele seja instável;
  • Assim, os pesquisadores desenvolveram uma IA que pode prever e evitar instabilidade do plasma em um reator.

A fusão nuclear é uma reação onde dois átomos ou mais se combinam para formar um novo átomo. Esse processo é altamente energético e os pesquisadores têm tentado simular ele aqui na Terra. No entanto, o núcleo das estrelas estão sob altas condições de temperatura e pressão, que não podem ser facilmente reproduzidos em laboratórios.

Como solução, nas tentativas de reproduzir a fusão nuclear, os pesquisadores usam a pressão aqui mesmo da Terra e temperaturas dez vezes maiores do que a do núcleo do Sol. Nessas temperaturas, a matéria está na forma de plasma, que é tão energético que pode perder sua estabilidade e sair do campo magnético que o mantém dentro do reator, pondo fim à reação.

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Agora, eu uma nova pesquisa publicada na revista Nature, um grupo de pesquisadores desenvolveu uma IA que pode resolver o problema. Ela foi treinada a partir de experimentos anteriores conduzidos no DIII-D National Fusion Facility, um reator nuclear localizado em San Diego.

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Desenvolvimento da inteligência artificial

A IA não entende o suficiente sobre o que está fazendo, mas foi ensinada com características do plasma em tempo real de experimentos anteriores para poder prever e evitar instabilidades. Em simulações, ela conseguiu prever esses eventos em até 300 milissegundos, o que foi tempo suficiente para alterar parâmetros como a forma do plasma ou força dos feixes que fornecem energia para reação se manter estável.

A inteligência artificial ainda não é o suficiente para que a obtenção de energia nuclear se torne real, visto que existem outros problemas na produção da reação. Mas os pesquisadores esperam trabalhar nisso.

Temos fortes evidências de que o controlador funciona muito bem em DIII-D, mas precisamos de mais dados para mostrar que ele pode funcionar em uma série de situações diferentes. Queremos trabalhar em direção a algo mais universal.

Jaemin Seo, primeiro autor da pesquisa, em comunicado