Novo exame de sangue pode detectar privação de sono de motoristas

Teste criado por cientistas tem 99,2% de precisão e pode detectar se uma pessoa não dormiu por 24 horas ou mais
Por Nayra Teles, editado por Lucas Soares 13/03/2024 04h00
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Imagem: Vitória Lopes Gomez (gerada com IA)/Olhar Digital
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Um grupo de pesquisadores da Universidade Monash desenvolveu um exame de sangue que detecta se uma pessoa esteve sem dormir por 24 horas ou mais. O teste é especialmente útil para identificar motoristas com privação de sono que podem colocar vidas em risco devido ao cansaço.

Detalhes sobre a pesquisa foram publicados na revista Science Advances.

Biomarcador do sono

  • Com a ajuda de algoritmo de aprendizagem, os cientistas encontraram uma substância que pode identificar a privação do sono.
  • Ela é gerada quando o corpo decompõe alimentos, medicamentos, produtos químicos ou os próprios tecidos.
  • Em testes, esse biomarcador detectou com 99,2% de precisão quando uma pessoa ficou sem dormir por 24 horas ou mais, comparado com pessoas sem a privação do sono.
  • Quando comparado com amostras de pessoas que dormiram o suficiente, a precisão caiu para 88,1% – o que ainda é um bom resultado.
  • A equipe de pesquisa espera que o novo teste possa ser utilizado para garantir a segurança de motoristas e para a gestão de saúde.
Imagem: Nayra Teles – gerada por inteligência artificial/Shutterstock

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Um bafômetro do sono

A ideia principal é que o novo exame de sangue seja aplicado de forma semelhante ao bafômetro. Para isso, pretendem realizar experimentos em ambientes menos controlados, de preferência, em condições que possam comprovar que o exame é realmente necessário.

Como pode ser limitado, já que os testes de sangue são menos práticos nas estradas, as próximas investigações vão tentar descobrir também se o biomarcador pode ser detectado por saliva e respiração.

Mais segurança nas estradas

Os investigadores acreditam que o novo exame para detectar privação de sono pode ser tão revolucionário quanto o bafômetro foi.

Os testes de álcool foram um divisor de águas na redução de acidentes rodoviários e lesões graves e mortes associadas, e é possível que possamos conseguir o mesmo com a fadiga. Mas ainda é necessário muito trabalho para atingir esse objetivo.

Clare Anderson, autora da pesquisa, para o New Atlas
Nayra Teles
Redator(a)

Nayra Teles é estudante de jornalismo na Universidade Anhembi Morumbi (UAM) e redatora no Olhar Digital

Lucas Soares
Editor(a)

Lucas Soares é jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e atualmente é editor de ciência e espaço do Olhar Digital.