O Serviço Nacional de Parques dos EUA conseguiu identificar um naufrágio que há muito era desconhecido. Os restos do navio foram encontrados em 1993, mas somente recentemente os pesquisadores conseguiram determinar que se tratava de uma embarcação britânica que afundou há quase 300 anos.

Para quem tem pressa:

  • O navio britânico HMS Tyger afundou em 1742 durante uma guerra entre o Reino Unido e a Espanha;
  • Durante muito tempo, a localização do naufrágio foi um mistério;
  • No entanto, investigações realizadas identificaram os destroços de um navio como o naufrágio do navio de guerra britânico.

O naufrágio está localizado na costa do Golfo do México, em um parque nacional nos recifes de Dry Tortugas, e trata-se do HMS Tyger que afundou em 1742. A história do navio britânico está relacionada a uma guerra de nome estranho envolvendo o Reino Unido e a Espanha.

HMS 'Tyger' tomando o 'Schakerloo' no porto de Cádiz (Crédito: Daniel Schellinks)
HMS ‘Tyger’ tomando o ‘Schakerloo’ no porto de Cádiz (Crédito: Daniel Schellinks)

O conflito começou em 1731 quando o brigue britânico Rebecca, navegando pela costa de Cuba, foi abordado por patrulhas espanholas que acreditavam que o navio estava contrabandeando açúcar. Em uma discussão, os espanhóis acabaram cortando a orelha do capitão Robert Jenkins, que a guardou e a levou para Grã-Bretanha para instigar o ressentimento.

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Alguns anos depois, políticos usaram o acontecimento para incitar uma guerra contra a Espanha no Parlamento britânico. Assim, em 1739 iniciou-se a Guerra da Orelha de Jenkins que duraria até 1748.

Durante uma patrulha de rotina em 1742, o HMS Tyger acabou encalhando ao redor de Dry Tortugas. Os cerca de 300 tripulantes a bordo ficaram presos por 66 dias na ilha de Garden Key, a segunda maior de Dry Tortugas, enfrentando o calor, os mosquitos e a sede.

Os britânicos construíram navios improvisados a partir dos restos do Tyger, e, ao mesmo tempo, que eles eram usados para buscar ajuda, também procuravam localizar navios espanhóis na área. Após uma tentativa fracassada de destruir uma embarcação espanhola, a tripulação sobrevivente decidiu queimar os restos do Tyger para que os canhões não caíssem em mãos erradas.

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Identificado o navio Tyger

Durante todo esse tempo, a localização dos restos do HMS Tyger foi um mistério, até que em 1993 um naufrágio foi encontrado. Os pesquisadores não sabiam de qual embarcação se tratava, até que investigações realizadas pelo Centro de Recursos Submersos e do Centro Arqueológico do Sudeste em 2021 encontraram cinco canhões a cerca de 500 metros do local onde os destroços estão localizados.

Marcações em uma em uma faixa de cobre indicaram que os canhões eram de propriedades britânicas (Crédito: Serviço de Parques Nacionais/ Brett Seymour)
Marcações em uma em uma faixa de cobre indicaram que os canhões eram de propriedades britânicas (Crédito: Serviço de Parques Nacionais/ Brett Seymour)

A partir de análises que revelaram que os canhões eram britânicos e o diário de bordo do Tyger que apontou que canhões semelhantes aos encontrados foram lançados ao mar quando o navio encalhou pela primeira vez, os arqueólogos determinaram que o naufrágio se tratava da embarcação de guerra do Reino Unido.

As descobertas arqueológicas são emocionantes, mas conectá-las aos registros históricos nos ajuda a contar as histórias das pessoas que vieram antes de nós e os eventos que vivenciaram. Esta história em particular é de perseverança e sobrevivência. Os parques nacionais ajudam a proteger essas histórias não contadas à medida que vêm à tona.

James Crutchfield, gerente do parque nacional, em comunicado

Com essa descoberta, os restos do HMS Tyger são propriedade soberana do governo britânico, de acordo com um acordo internacional. No entanto, algo parecido ao que ocorreu com HMS Fowey pode acontecer. Os destroços desse outro navio britânico são atualmente administrados por um Memorando de Acordo entre os Estados Unidos e a Marinha Real Britânica.