Os veículos elétricos já são populares na Europa, mas grande parte dos modelos vendidos não é fabricado por lá.

Um levantamento de uma ONG europeia do setor de transporte mostrou que essa tendência deve aumentar neste ano, com 1/4 dos carros vendidos na União Europeia (UE) sendo importados da China. Isso pode ter consequências para a economia da região, mas há soluções.

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Os dados fazem parte de artigo da ONG Transport and Environment, que abrange setores de transporte e meio-ambiente. Segundo o levantamento, dos cerca de 300 mil veículos elétricos vendidos na UE em 2023, 19,5% foram fabricados na China e importados.

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A ONG prevê que esse número vai aumentar este ano, com os modelos fabricados na China chegando a 25% de participação no mercado europeu. Isso inclui modelos da estadunidense Tesla e da romena Dacia (de propriedade da francesa Renault), mas também de nomes chineses, como a própria BYD.

Veja dados detalhados sobre a participação de cada uma e das expectativas para 2024:

  • Em 2023, a maior importadora de veículos elétricos fabricados na China na UE foi a Tesla, com 28% de participação no total dos importados. Depois, vem a Dacia, com 20%;
  • No entanto, as exportações dos veículos para a UE vem aumentando ao longo do tempo, indo de 0,4% a 7,9% apenas em 2019;
  • Este ano, segundo a ONG, a taxa de aumento deve ser ainda maior, com a BYD, MG, NIO e outras montadoras podendo chegar a 20% de participação no mercado europeu até 2027;

carros elétricos
Imagem: Quality Stock Arts/Shutterstock

Prós e contras

De acordo com o InsideEVs, um dos motivos para a importação de carros elétricos ser tão popular na Europa é porque a fabricação na China costuma ser mais barata do que na UE, o que barateia o preço final dos modelos.

No entanto, isso também significa que o dinheiro está saindo do continente e indo para outro país, o que, a longo prazo, enfraquece a indústria e os investimentos no setor na Europa. Afinal, se comprar de fora é mais barato, por que produzir nacionalmente?

byd e tesla
Participação de modelos fabricados na China da Tesla e da BYD devem aumentar no mercado europeu este ano (Imagem: ssi77/Shutterstock)

Soluções para o equilíbrio dos veículos elétricos

A própria ONG propõe algumas soluções para equilibrar a situação. Uma delas é aumentar as tarifas de importação, considerando que a UE já tem direito de importar 10% dos veículos elétricos fabricados na China. Isso encareceria os modelos para o consumidor final, mas alguns continuariam mais baratos do que a média.

Ainda, segundo a T&E, só essa medida aumentaria a arrecadação da UE entre 3 bilhões e 6 bilhões de euros (R$ 16,29 bilhões e R$ 32,58 bilhões, respectivamente, em conversão direta), valor que pode ser reinvestido nas cadeias locais de abastecimento de tecnologia limpa.

Outra alternativa é aumentar a tarifa de importação das células de bateria, já que a Europa tem uma das menores taxas atuais (1,3%, em comparação com 10% das células europeias importadas pela China).