Rituais de sacrifício eram comuns em toda a Europa neolítica; saiba mais

Estudo se baseou em espaço localizado na França, contendo restos mortais supostamente assassinados em prol de sacrifício
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Esqueleto de mulher com mãos amarradas e pés removidos, encontrado por empresa britânica de abastecimento de água em 2019 (Imagem: Thames Water)

Os rituais envolvendo sacrifícios humanos eram comuns em toda a Europa na Idade da Pedra, segundo estudo, publicado nesta quarta-feira (10) na Science Advances, de uma equipe de investigadores, que tentou estimar a quantidade de vítimas de sacrifícios no continente.

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Segundo o Gizmodo, os pesquisadores começaram com estudos de esqueletos escavados em Saint-Paul-Trois-Châteaux, tumba neolítica localizada no Vale do Ródano (França).

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Investigação dos sacrifícios humanos

  • Dois dos restos mortais eram de mulheres, que, segundo a equipe, foram forçadas a assumir posições que levavam à asfixia;
  • Inclusive, uma delas, ao menos, pode ter sido enterrada viva;
  • A seguir, eles pesquisaram a frequência de enterros similares em toda a Europa para determinar se os supostos assassinatos eram fruto de rituais;
  • A investigação detalhada descobriu que a asfixia era um ritual homicida existente há pelo menos dois mil anos, quando essas vítimas foram mortas;
  • Portanto, esses rituais começaram entre seis mil e 5,5 mil anos atrás.

“O principal desafio da arqueologia, especialmente na pré-história, onde estão ausentes registos escritos, é distinguir o sacrifício ritual de outras formas de violência ritualizada”, escreveram os autores da pesquisa.

No sentido horário, a partir do canto superior esquerdo: vista de três esqueletos no local; reconstrução dos restos mortais; vista do indivíduo inferior com pedra no topo dos restos mortais; fragmento de rebolo cobrindo a cabeça do indivíduo mais à direita (Imagem: Ludes et al., Sci. Av. 10, eadl3374 [2024])

São vários os indicadores: provas de morte violenta, o posicionamento de seus restos mortais e até irregularidades demográficas nos indivíduos mortos. Vários corpos encontrados em pântanos (que geralmente estão bem-preservados e encontrados em pântanos antigos no norte europeu) exibem sinais de rituais de sacrifício.

O sítio de Saint-Paul-Trois-Châteaux onde os esqueletos estudados estavam era orientado para solstícios, fazendo o time de pesquisadores hipotetizar que o local era venerado para fins agrícolas por meio dos sacrifícios humanos.

A disposição específica [dos corpos] – empilhados uns sobre os outros e entrelaçados com fragmentos de pedras de amolar – implica colocação mais enérgica e deliberada, sugerindo fortemente que a sua morte provavelmente ocorreu dentro do contexto do enterro.

Equipe de pesquisadores no estudo

Foram documentados estrangulamentos homicidas por ligaduras em toda a Europa. Neste tipo de ritual violento, costuma haver tornozelos das vítimas amarrados e suas gargantas deitadas contra o solo. Essa posição faz com que a vítima se autoestrangule.

Além dos contextos arqueológicos envolvidos, gravuras rupestres mesolíticas encontradas mais distantes, na Itália, na Caverna Addaura, retratam esta forma de sacrifício humano.

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Foram estudados, ainda, 20 pessoas em outros 14 locais, desde onde está a atual Espanha, até a República Tcheca, bem como no extremo norte da atual Alemanha até o sul da Sicília (Itália). A idade de cada sítio varia entre 5.400 a.C. a 3.534 a.C.

Quatro das supostas vítimas de sacrifício eram crianças, sendo três localizadas no mesmo espaço na Espanha: Bobila Madurell Sud.

“Este fenômeno cultural poderia ter-se diversificado na Europa Central e estruturado a ritmos diferentes durante quase dois milênios antes de culminar no final do Neolítico Médio”, finalizaram os investigadores.

Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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