“Monstro” que produziu erupção solar recorde se afasta da Terra – mas, será que pode voltar?

A mancha solar denominada AR3664, que já tem quase 200 mil km de ponta a ponta, não está mais direcionada à Terra; mas, ela pode voltar?
tempestade solar
Representação artística de uma erupção solar ejetando plasma em direção à Terra. (Imagem: Jurik Peter / Shutterstock.com)

Após produzir numerosas erupções extremas nos últimos dias, com grande parte delas disparando jatos de plasma em direção à Terra, um monstruoso agrupamento hiperativo de manchas no Sol está se movendo para longe das vistas do nosso planeta. 

Continua após a publicidade

Conforme noticiado pelo Olhar Digital, essa região, denominada AR3664, já se estende por quase 200 mil km de ponta a ponta. Isso quer dizer que ela está cerca de 15 vezes mais larga que a Terra, podendo ser vista facilmente usando óculos de proteção de eclipse. 

Até terça-feira (14), essa área do Sol já havia disparado oito erupções de classe X (tipo mais forte) em uma semana, sendo a mais poderosa delas uma X8.7 produzida às 13h55 (pelo horário de Brasília).

A explosão X8.7 tornou-se um evento histórico, sendo a 17ª maior erupção solar já observada e a mais potente do atual ciclo solar. Depois desse episódio, a região AR3664 produziu um surto X1.2, um X3.5 e um um X2.9 – com este episódio mais recente ocorrendo com a mancha já virada para outro lado.

Última vez que a mancha solar AR3664 ficou visível para a Terra foi na terça-feira (14). Crédito: NASA/SDO e equipes científicas AIA, EVE e HMI, com rotulagem da EarthSky.

Leia mais:

É possível que a mancha solar AR3664 se volte para a Terra novamente

De acordo com o site Space.com, as grandes explosões que eclodiram daquela área no fim de semana foram acompanhadas por ejeções de massa coronal (CMEs), jatos que lançam enormes nuvens de plasma solar atravessando o espaço. Como a mancha solar estava voltada para a Terra na época, essas CMEs atingiram o planeta, sobrecarregando as auroras e causando apagões de rádio e de sinais de GPS em alguns lugares.

Mas, será que nos despedimos para sempre dessa gigantesca mancha solar? Ou voltaremos a vê-la? Afinal, o Sol leva cerca de 25 dias terrestres para girar uma vez em seu eixo (no equador; a duração varia consideravelmente de acordo com a latitude), então leva cerca de duas semanas para que muitas características na superfície solar voltem à nossa vista.

“Provavelmente haverá um grande aglomerado de manchas solares ainda lá. Só que pode não ser tão grande ou complexo e raivoso como é agora. De um modo geral, tem sido minha experiência que a maioria deles persistirá por cerca de duas a três semanas muito forte e depois começará a decair, mas não necessariamente”, disse Bill Murtagh, coordenador do Centro de Previsão do Tempo Espacial (SWPC) da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA).

“As tempestades de Halloween são um bom exemplo”, disse ele, referindo-se a uma memorável onda solar do final de outubro de 2003. “A grande região 486 girou em torno do membro, e duas semanas depois estávamos esperando que ela voltasse, e não havia muito para isso. Ela decaiu consideravelmente. Mas, pode acontecer. Estaremos observando de perto”.

Flavia Correia
Flavia Correia

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

Gostou? Compartilhe! Ajude mais pessoas a ficarem informadas.
Prefira o OD no Google
Ícone Whatsapp Ícone Whatsapp Ícone Instagram Ícone Facebook Ícone Linkedin Ícone Telegram Ícone Email