Uma estranha faixa roxa do céu noturno, conhecida como STEVE, parece ter um irmão gêmeo que aparece pelo amanhecer. A descoberta foi feita a partir do trabalho em conjunto entre um fotógrafo e pesquisadores. 

Para quem tem pressa:

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  • O STEVE é causado por um fluxo de gás, e uma gêmea dele já era conhecida;
  • No entanto, nenhum fenômeno luminoso foi associado a esse fluxo de gás gêmeo;
  • Agora, um fotógrafo vasculhou um banco de fotos que mudou isso, e pesquisadores resolveram estudá-lo.

A luz roxa conhecida como, strong thermal emission velocity enhancement, ou STEVE, foi descoberta em 2016 enquanto um grupo de observadores de aurora amadores capturaram uma faixa roxa misteriosa em meio a luz verde e vermelha das auroras. Pesquisadores resolveram investigar esses avistamentos a partir de dados coletados pelo trio de satélites Swarm, da ESA.

As observações revelaram que a luz roxa não era uma aurora, mas sim uma faixa de gás carregado com 25 quilômetros de largura e com temperaturas próximas aos 3 mil graus Celsius, categorizada como “deriva de íons subaurorais”. O gás estava fluindo antes da meia-noite, de leste para oeste a cerca de 6 quilômetros por segundo, mais lento que o restante dos gases atmosféricos ao redor, que viajam a 10 quilômetros por segundo.

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Os pesquisadores sabiam que existia fluxo de gás gêmeo que flui do oeste para o leste pouco antes do amanhecer, no entanto, nenhuma luz colorida como o STEVE ainda havia sido detectada, pelo menos não até agora.

A luz roxa gêmea do STEVE aparece logo antes do amanhecer (Crédito: Ramfjordmoen Research Station)
A luz roxa gêmea do STEVE aparece logo antes do amanhecer (Crédito: Ramfjordmoen Research Station)

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Irmã gêmea da luz roxa

A descoberta dessas luzes gêmeas começou com o fotógrafo norueguês Gabriel Arne Hofstra examinando o banco de dados de imagens da câmera digital de todo o céu na Estação de Pesquisa Ramfjordmoen, no Círculo Polar Ártico. Foi aí que em uma filmagem da madrugada de 28 de dezembro de 2021 que o fotógrafo viu uma faixa de luz roxa semelhante a STEVE.

Em um estudo publicado em abril na revista Earth, Planets and Space, pesquisadores da Universidade de Eletrocomunicações do Japão, do Instituto Sueco de Física Espacial e da Universidade Ártica da Noruega se juntaram para analisar a luz roxa descoberta por Hofstra e investigar se algum satélite também havia observado o fenômeno. Dados coletados por dois satélites Swarm mostram que a listra roxa no céu com certeza era causada pela corrente de gás quente que ia em direção ao leste: o gêmeo do STEVE.

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Satélites Swarm (Crédito: ESA)
Satélites Swarm (Crédito: ESA/AOES Medialab)

Em comunicado, os cientistas apontaram que trabalhar com um fotógrafo para observar o fenômeno tem sido fantástico. Eles ainda completam que os fotógrafos são colaboradores valiosos na observação do céu noturno, principalmente com a aproximação do pico de atividade solar. Nessa fase, eventos e fenômenos extraordinários poderão ser vistos no céu.