Crime cósmico é desvendado após mais de 800 anos

Cientistas usaram modelagem computacional avançada e análises observacionais para reconstituir o “crime” que resultou na supernova SN 1181
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Uma ilustração de duas anãs brancas pouco antes de fundir (no destaque) as duas regiões de choque do remanescente SNR 1181. Créditos: Robert Lea (criado com o Canva)/2024 T. Ko, H. Suzuki, K. Kashiyama et al./ The Astrophysical Journal

Um artigo publicado este mês no The Astrophysical Journal desvenda o mistério de um “crime cósmico” envolvendo uma supernova que perdurou por 843 anos.

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Em 1181, enquanto a Guerra Genpei assolava o Japão, uma estrela convidada misteriosa apareceu brevemente sobre a Ásia. Uma estrela convidada é aquela que se torna repentinamente visível em um local do céu onde nenhuma outra já havia sido observada antes, e volta a ficar invisível novamente após algum tempo.

Aquela ocasião foi um evento fugaz que intrigou astrônomos por séculos até recentemente, quando pesquisadores finalmente desvendaram o mistério por trás da supernova (SN) 1181.

Observações da supernova SN 1181 . Crédito: Wikimedia Commons NASA

A descoberta revelou que o fenômeno foi desencadeado pela colisão espetacular de duas anãs brancas, estrelas mortas que resfriam após gastar seu combustível nuclear. 

Essas anãs brancas, remanescentes de estrelas que uma vez foram como o nosso Sol, entraram em conflito cósmico, lançando choques e formando uma supernova do tipo Iax, um evento raro que deixou uma anã branca remanescente girando rapidamente.

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Modelagem computacional ajuda a “reconstituir o crime”

Liderada por Takatoshi Ko, da Universidade de Tóquio, a equipe de cientistas usou modelagem computacional avançada e análises observacionais para reconstituir o “crime”. Eles descobriram não apenas o que causou a SN 1181, mas também que ventos estelares de alta velocidade começaram a soprar da anã branca remanescente há apenas duas décadas, um fenômeno intrigante que desafia as expectativas.

Estudo investigou a SN 1181, uma supernova de magnitude zero que apareceu no norte de Cassiopeia em 6 de agosto de 1181. Crédito: Robert Fesen via SkyAndTelescope.org

Essa descoberta não só revela o poder da astronomia moderna em combinar ciência de ponta com registros históricos para desvendar mistérios cósmicos, como também oferece perspectivas profundas sobre a evolução das supernovas e a vida após a morte estelar. 

Enquanto diminuem em tamanho, as anãs brancas continuam sendo fontes de descoberta para os astrônomos, revelando segredos sobre o ciclo de vida estelar e o destino de estrelas como o Sol.

Morte de estrelas ajuda a prever o futuro de outras

Essa pesquisa destaca a importância da interdisciplinaridade, conectando campos como arqueologia cósmica e física de altas energias para desvendar novas dimensões dos fenômenos astronômicos. A capacidade de determinar a idade e a evolução dos remanescentes de supernovas, como a SNR 1181, através de diferentes perspectivas é uma ferramenta inestimável para expandir nosso entendimento do Universo.

Agora, os cientistas estão ansiosos para confirmar essas descobertas com novas observações usando tecnologias avançadas como o radiotelescópio Very Large Array (VLA), no Novo México, e o telescópio Subaru, no Havaí, preparando-se para explorar ainda mais os mistérios da SN 1181 no céu noturno.

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Assim como investigadores de um crime, eles buscam pistas nos confins do cosmos, desvendando os segredos das estrelas mortas e o que suas colisões podem revelar sobre o futuro das estrelas e o Universo em expansão.

Flavia Correia
Flavia Correia

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

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