História das Olimpíadas: entenda por que os Jogos ficaram suspensos por 15 séculos

Evento não ocorreu entre os anos de 394 e 1895; explicação dessa ausência passa por motivos culturais e religiosos
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Imagem: JeanLucIchard/Shutterstock

No clima da Olimpíada de Paris-2024, nada melhor do que um pouco de história e curiosidades. O maior evento esportivo do mundo, celebrado por atletas, público e patrocinadores, demorou muito tempo para se estabelecer dessa maneira. E passou por um hiato de incríveis 15 séculos antes de se tornar essa potência que conhecemos hoje.

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Para contar essa história, precisamos retornar ao início dos Jogos. Bastante gente sabe disso, mas vale a pena lembrar aqui: a Olimpíada recebe esse nome por causa da cidade onde ela ocorria. Olímpia, na Grécia, tinha uma grande importância religiosa.

As pessoas diziam que o próprio Zeus havia fixado residência no local. E para honrar o rei dos deuses gregos, a população passou a promover uma grande festa, que tinha, sim, eventos esportivos, mas também contava com sacrifícios e rituais religiosos.

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E como os gregos eram tudo, menos monoteístas, a Olimpíada passou a receber adoradores de outras divindades. Reunia tanta gente (até mesmo de outras cidades gregas), que os artistas, mercadores e até mesmo pessoas influentes da época começaram a frequentar os Jogos, de 4 em 4 anos. E o clima era realmente festivo, de celebração.

Os Jogos têm origem na Grécia Antiga – Imagem: Gilmanshin/Shutterstock

Um fato curioso é que, nesse meio tempo, o estádio que recebia o evento servia para a agricultura. De acordo com o professor de História da Grécia Antiga do Dartmouth College (EUA), Paul Christesen, os gregos plantavam trigo no local. E só limpavam o campo de 4 em 4 anos.

Vale dizer que a primeira edição da Olimpíada ocorreu no ano de 776 antes de Cristo. E a última edição dos Jogos Antigos foi realizada em 393 depois de Cristo. Estamos falando, portanto, de um intervalo de mil anos. Uma janela grande que modificou não somente o evento, como também toda a Europa.

O início do fim

  • O declínio dos Jogos Olímpicos tem dois motivos principais: a ascensão do Império Romano e o Cristianismo.
  • Roma se expandiu tanto naquela época que passou a dominar a Grécia, o Egito, a Macedônia, a Gália, a Germânia, a Síria… enfim, várias civilizações.
  • E os conquistadores até que aderiram a muitos aspectos da rica cultura grega, incluindo a Olimpíada.
  • Isso, porém, durou até o século IV, quando o Império abraçou o Cristianismo.
  • O primeiro imperador a se converter oficialmente para a nova religião foi Constantino I.
  • E, em 380 d.C., o Cristianismo se tornou a religião oficial de Roma.
  • Pouco tempo depois, em 393 d.C., o Imperador Teodósio I emitiu um decreto que baniu todos os festivais pagãos, incluindo os Jogos Olímpicos.
  • Para ele, não fazia sentido continuar com uma festa que exaltava falsos deuses.
Ilustração digital mostra soldados do império romano em marcha
O Império Romano foi o responsável por acabar com os Jogos Antigos – Imagem: Vuk Kostic/Shutterstock
  • O Império Romano do Ocidente caiu menos de 100 anos após essa decisão, em 476 d.C.
  • A Europa entrava na Idade Média, ou Idade das Trevas, como gostam de chamar alguns historiadores.
  • A adoção do termo “trevas” faz referência a um período de supressão de ideias.
  • Não que a cultura tenha morrido completamente.
  • Ela, no entanto, era focada na religião apenas – vide as grandes e belas catedrais.
  • As ideias e costumes antigos, por sua vez, foram deixados de lado.
  • Daí o esquecimento dos Jogos Olímpicos.

O renascimento dos Jogos

Apesar de a primeira edição dos Jogos Modernos ter ocorrido apenas em 1896, podemos dizer que a ideia começou a surgir séculos antes.

E tem a ver com o Renascimento. Sim, o período que marcou a transição entre a Idade Média e a Idade Moderna.

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O Renascimento foi um movimento cultural, econômico e político, surgido na Itália no século XIV. Ele teve como inspiração os valores da Antiguidade Clássica, mas sem virar as costas para as religiões cristãs – algo muito parecido com o que temos hoje no Ocidente.

Nessa época, os estudiosos passaram a se debruçar sobre textos da Grécia Antiga – e antigos costumes voltaram a ser vistos com bons olhos.

A ideia de reviver os Jogos Olímpicos começou a ganhar força no século XIX. E saiu do papel em 1894, com a fundação do Comitê Olímpico Internacional (COI). O principal mentor da iniciativa foi o pedagogo e historiador francês Pierre de Coubertin, ou Barão de Coubertin, como é mais conhecido.

Dois anos depois dessa data, em 1896, o COI organizou os primeiros Jogos Olímpicos modernos. E, como não podia ser diferente, eles ocorreram em Atenas, na Grécia.

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Os Jogos de Paris-2024 já entraram para história, pois registram, de forma inédita, a igualdade de gênero – Imagem: kavi designs/Shutterstock
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Uma última curiosidade é que o evento contou com a participação de apenas 14 países e 241 atletas – todos homens. Sim, as mulheres eram proibidas de competir naquela época.

Algo que mudou – e ainda bem que mudou! Os Jogos de Paris entram para a história por se tornarem os primeiros a ter igualdade de gênero: serão 5.250 atletas homens e 5.250 atletas mulheres.

A reportagem foi feita com informações da Exame.

Bob Furuya
Bob Furuya

Roberto (Bob) Furuya é formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e atua na área desde 2010. Passou pelas redações da Jovem Pan e da BandNews FM.

Bruno Capozzi
Bruno Capozzi

Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.

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